Segunda, 26 Março 2018 13:20

Cultura vocacional e querigma: Encontramos o Messias!

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Cultura vocacional e querigma: Encontramos o Messias! foto: iStock.com

Na medida em que o cristão compreende a fé, será mais capaz de responder ao chamado de Deus sem medo. A fé é dom dado por Deus, mas precisa ser celebrado, vivido, experimentado, compreendido, testemunhado e anunciado.

 

A bela e espontânea expressão de André ao comunicar a Pedro o encontro com Jesus é fundamental para entender o querigma vocacional (Jo 1,41). Ele chega perto de Simão e diz: “Encontramos o messias”(Jo 1,41). Isto nos recorda uma das ideias fortes no Documento de Aparecida: “A Igreja cresce, não por proselitismo, mas por atração: como Cristo atrai tudo para si com a força do seu amor”.

 

Impactados por Ele

O querigma é o anúncio de algo que nos impactou de fato. Que mudou radicalmente nossa existência. É a conversão Paulina na sua essência. Paulo não foi um pervertido que se converteu, mas um bom fariseu que encontrou um significado para sua existência e deixou tudo para seguir a voz interior que o movia a evangelizar.

 

Ele não carregava um peso, mas a graça; não se lamentava dos sofrimentos, mas entendia tudo à luz daquela chama interior que o consumia; não vivia triste, mas alegre com o antídoto do amor frente ao ódio e à violência (DAp, 29). Portanto, “conhecer Jesus é o melhor presente; tê-lo encontrado foi o melhor que aconteceu; fazê-lo conhecido é nossa alegria” (DAp, 29). Essa dinâmica do querigma é também mistagógica, ou seja, nos faz mergulhar no mistério salvífico de Deus e nos torna servidores e generosos discípulos (DAp, 31).

 

Na medida em que o cristão compreende a fé, será mais capaz de responder ao chamado de Deus sem medo. A fé é dom dado por Deus, mas precisa ser celebrado, vivido, experimentado, compreendido, testemunhado e anunciado. Sem este ciclo da fé não existe maturidade do ato de crer. Portanto, não há como responder com generosidade e entrega ao chamado a sair da própria terra, dos próprios costumes, dos projetos pessoais, da mesmice do cotidiano e da liberdade autodestruidora e egoísta para ir ao encontro da voz interior que diz uma e outra vez: VEM E SEGUE-ME!

 

Ouvir a voz interior

Na vida dos santos e santas é muito comum encontrarmos esse apelo interior a partir do grito da realidade. Dom Bosco, por exemplo, viu e ouviu gritos de meninos e jovens abandonados e sentiu que Deus lhe dizia: “cuida da salvação deles”.Santa Tereza de Calcutá avistou um mendigo que agonizava e sentiu a voz interior que lhe dizia: “Tenho sede”.São Francisco de Assis deparou com um leproso e sentiu o impulso de beijar seus pés e depois uma voz interior lhe disse: “Francisco, restaura a minha Igreja”. São João Paulo II percorreu o mundo anunciando o Evangelho até que um dia viu uma faixa que dizia: “Santo padre, o povo passa fome”. Esta voz que brotou do meio de uma multidão faminta fez com que o Papa entregasse a vida pela justiça no mundo.

 

A jovem bem-aventurada Laura Vicuña percebeu o sofrimento de sua mãe castigada e explorada por um padrasto violento que também queria seduzi-la, porém Laura resistiu e ofereceu a vida pela conversão dele. Os servos de Deus dom Luciano Mendes de Almeida e dom Hélder Pessoa Câmara também ouviram a voz interior num Brasil desorientado e submisso pela ditadura, e levantaram a voz contra toda forma de injustiça, divisões e prepotências. São santos de ontem e de hoje, e teríamos muitos outros. Em todos eles, podemos perceber a mistagogia querigmática do encontro profundo e radical com Deus. Vidas que se doaram pela salvação do mundo.

 

Saber responder

O querigma precisa ser resgatado na cultura vocacional em vista de respostas generosas, ousadas e criativas, rompendo com uma cultura líquida e sem brilho, opaca e ensossa que nos empobrece a cada dia.

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Pe. João Mendonça

Pe. João Mendonça, SDB, nasceu em Manaus, AM, em 1961. É Salesiano de Dom Bosco desde 1982. Mestre em Educação com especialização em metodologia para a formação religiosa e presbiteral pela Pontificia Universidade de Roma. Pós graduado em Comunicação pelo SEPAC – PUC/SP e Educação Sexual pela Unisal/SP. Durante 4 anos foi coordenador da pastoral da inspetoria São Domingos Sávio/Manaus, delegado inspetorial para a Família Salesiana, vice-diretor da comunidade Santo Tomás, Pio XI – Lapa, Diretor do pós-noviciado de Manaus e atualmente é pároco.

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