Terça, 18 Setembro 2018 12:12

Cantos e encantos dos pássaros e a reserva ecológica do Colégio Dom Bosco

Escrito por  Pe. Valdemar Pereira dos Santos, SDB
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Tarde de domingo, clima agraciado por uma brisa leve anunciando o crepúsculo vespertino. Parei para apreciar e ouvir a sinfonia e a beleza dos pássaros que povoam o nosso recinto educativo, o Colégio Dom Bosco da Paralela. Moramos aqui neste recanto de paz, do bairro São Marcos, em Salvador, BA.

 

 

Estamos colados a uma minúscula reserva da Mata Atlântica, que faz parte do terreno do colégio, onde ainda existe a presença de algumas árvores nativas e raras: Canela de Velho (Miconia ibicans), Palmeira Licuri (Syagnus coronata), Tucumâ (Astrocaryum vulgare), Aroeira (Schinus terebinthifolusri), Biribá (Escweilera ovara), Tracoá (Heliconia psittacorum), Embaúba (Cecropia pachystachya), Agoniada (Plumeria lancifolia), bastante Banbusal etc.

 

Aqui também é morada de alguns pássaros que fazem os seus ninhos, reproduzem e vivem nas verdes ramagens cortadas pela “Trilha Ecológica Dom Bosco”. Lá embaixo, no sopé do despenhadeiro, existe um pequeno regato, morada de sapos e rãs, antes do muro divisório da rua.

 

Durante as férias escolares de julho, quando os mais de 2.300 alunos deixam os pátios do colégio, aqui parece uma ilha de silêncio envolta no manto da saudade. Aquela “sinfonia barulhenta” da criançada, tão apreciada por Dom Bosco, e por nós também, entra em recesso.

 

Os pássaros, entre os quais: o bem-te-vi, o sabiá-de-praia, o sabiá-laranjeira, o assanhaçu, o patativa, o capitão-do-mato, o três-potes, a juriti, o pica-pau cinza, o papa-capim, o quero-quero, bandos de gangarras (que frequentam nossas mangueiras) etc. Todos desafiando os galhos da pequena mata verde, na luta pela sobrevivência. Aqueles mais canoros, por sua vez, como que estranhando o silêncio vizinho do colégio, deixam seu habitat e vêm ver de perto o que está acontecendo. Voam, pousam nas raras árvores dos pátios, soltam seus gorjeios e se divertem…

 

Isto sem falar da presença dos simples pombos, os irrequietos pardais, a rolinha-caldo-de-feijão, as lavandeiras, que pouco ou nada cantam, mas gostam do silêncio ambiental, das flores e gramados, do verde das nossas árvores. Até mesmo o gavião, essa detestável ave de rapina, discreta e traiçoeira, que gosta de ficar o tempo todo dentro da mata, de vez em quando faz seus voos sorrateiros, soltando pios aterrorizadores, sobre as copas das árvores, à procura de presas, na mais natural das leis, que é a sobrevivência.

 

Se meus olhos não me enganam, já vi também a Ararajuba sobrevoando nossos pátios. Ave rara da mata amazônica, com sua plumagem amarela e as pontas das asas azuis, e que muito bem se adapta ao clima da Mata Atlântica. Não deve ter sido ilusão… pois, há poucos dias, os jornais davam notícia da captura de uma Ararajuba que se encontrava na copa de uma árvore, no vizinho conjunto Alphaville, na Avenida Paralela, quase em frente ao nosso colégio.

 

Foi embevecido, no meio desta realidade singular, que na manhã do dia seguinte rezei com mais fervor e admiração os versículos do Cântico de Daniel 3, 57-88: “Obras do Senhor, bendizei o Senhor… Plantas da terra, bendizei o Senhor… Pássaros do céu, bendizei o Senhor…”

 

Padre Valdemar Pereira dos Santos, SDB, atua na área de Comunicação do Colégio Salesiano Dom Bosco, em Salvador, BA.

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