Sábado, 11 Agosto 2012 22:39

Missa: Eis o mistério da fé!

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Missa: Eis o mistério da fé! Foto: Douglas Mansur

 

Falar da missa é falar da “fonte e do ápice da vida cristã”. Estamos no cerne, no âmago da questão. Dela provêm todos os bens com o Bem maior e para ela convergem todas as demais ações sagradas da Igreja.

 

Durante a celebração eucarística, após a consagração do pão e do vinho, quem preside diz: “Eis o mistério da fé”; e nós respondemos com a aclamação memorial: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”. Por essa resposta, deduz-se que a Missa é, em primeiro lugar, memorial da morte e ressurreição do Senhor sob o sinal do pão e do vinho dados em refeição, em ação de graças e súplica.

Desde aquela memorável “última ceia” pascal de Jesus até os dias de hoje muita coisa aconteceu: a passagem da ceia judaica à ceia cristã, seus nomes através dos séculos, a formação das preces eucarísticas nas várias liturgias, as grandes etapas de sua evolução histórica até chegarmos ao Concílio Vaticano II (1963-1965).

O Concílio nos deixou a Constituição  Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada liturgia, à luz da qual temos hoje o Missal Romano que se “abre a todas as riquezas de uma tradição litúrgica bimilenária e aos preciosos tesouros conservados também por outras igrejas irmãs, especialmente no Oriente” (in Dicionário de Liturgia, Paulus, Eucaristia I, pg. 402).

 

O nome

A Missa recebeu muitos nomes: Ceia do Senhor (1Cor 11,19); Fração do pão (Lc 24,35; At 2,42.46;20,7.11; 27,35); Eucaristia (o mesmo que “ação de graças e louvor”); Liturgia que significou o conjunto das cerimônias públicas ou a celebração do ofício divino e que depois indicou simplesmente a Missa; sacrifício, que se firmará como um dos aspectos mais essenciais da celebração eucarística; finalmente Missa, provavelmente vindo da expressão do final da celebração em latim “ite missa est“ (Ide, estais despedidos) que em nossa língua foi traduzido por “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”.

O fato é que o termo “Missa” prevaleceu entre nós, ao passo que “Eucaristia”, para os fiéis de hoje, mais do que uma ação sagrada realizada pela comunidade, lembra mais a presença real do corpo de Cristo fora da missa, ou apenas a hóstia em si, o que empobreceu o seu significado.

Mas, voltemos ao essencial:

Jesus, na véspera de sua paixão, celebrando a ceia sacrifical hebraica com a imolação do cordeiro pascal, põe fim aos sacrifícios antigos de animais e se oferece a si mesmo como novo Cordeiro pascal que se sacrifica por todo o mundo, consagrando o pão e o vinho e tornando-os seu Corpo e Sangue. Por isso, a Missa é recordação e renovação (“memória” significa ambas as coisas ao mesmo tempo), o memorial do mistério pascal de Cristo. A Missa é Cristo morto e ressuscitado, a Missa é Páscoa!

Além de ‘sacrifício’ em si, a missa é também ‘eucaristia’, que significa agradecimento, ação de graças, isto é, oferta de Jesus imolado em agradecimento a Deus Pai pela maravilhosa salvação que ele nos concede. A comunidade reunida oferece ao Pai o seu dom mais precioso para dar-lhe graças por nos ter dado a salvação.

 

Outras dimensões de nossa celebração eucarística

Quando participamos da Eucaristia, somos em primeiro lugar uma comunidade que se reúne: uma comunidade organizada (presidência, ministérios) chamada Igreja, convocada para a festa da “páscoa semanal”, na mesma fé, onde se vive a comunhão com os irmãos, na partilha dos diversos talentos (leitores, cantores, tocadores…), dando graças a Deus em sinais e gestos.

Depois, somos uma comunidade de escuta.Através da Liturgia da Palavra, fazemos a experiência das grandes assembleias do povo hebreu relatadas no Antigo Testamento (Deus que fala e o povo que responde).

Somos também uma comunidade em ação de graças. Proclamamos as obras de Deus celebrando o memorial da páscoa do Senhor invocando o Espírito Santo, oferecendo o sacrifício da nova aliança, oferecendo-nos também a nós em sacrifício espiritual, formando um só corpo, comungando com a Igreja da terra e com a do céu, intercedendo por todos. É o que acontece durante a Oração Eucarística.

Além disso, somos uma comunidade de partilha. Comungar é comprometer-se com os irmãos, especialmente com os mais necessitados. Partilhar é preciso. Como o Senhor que se fez dom.

Finalmente, somos uma comunidade em missão.Somos também convocados para ser missionários: levar Jesus ao mundo inteiro, pois todos são chamados a participar do banquete, sinal do Reino.

Eis o Mistério de nossa fé!

 

Lido 16855 vezes Modificado em Segunda, 24 Novembro 2014 16:03
Padre Osmar Bezutte

Padre Osmar Augusto Bezutte

Diretor da Casa Beata Maria Romero de Rondonópolis, MT; assistente Regional das VDB (Região Brasil) e Conselheiro Espiritual Provincial (Província Centro Oeste) do Movimento das Equipes de Nossa Senhora no Brasil.

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1 comentário

  • Ligação de comentário Milton Silva Segunda, 20 Agosto 2012 03:11 postado por Milton Silva

    Caríssimo em Maria,
    os anos passam e de repente nos cruzamos com o passado. Neste momento nos reencontramos. Sou Milton Silva. Estudamos juntos, em Lucélia, de 1960 a 1964. Eu estava uma ou duas séries a sua frente. Depois fomos para o Instituto São Vicente, Recordo-me de sua voz maviosa, pois também sempre fiz parte de nossos corais, de nossas operetas... Muitas saudades e espero voltar a conversar. Agora participo da comunidade da Santíssima Virgem do Pe. Maximiliano Kolbe em São Bernardo do Campo SP. Esta comunidade também está inserida aí na cidade de Campo Grande. O novo pároco é nosso conhecido.
    Abraços