Quinta, 23 Maio 2019 19:16

Pesquisa feita em parceria com Colégio Pio XII traz resultados positivos

Escrito por  Manoella Oliveira
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Em parceria com o Colégio Pio XII de Belo Horizonte, pesquisadora busca compreender como conteúdos informativos podem ser aliados na aproximação entre a criança e a natureza.

 

 

Com a expansão da urbanização e com as crianças passando cada vez menos tempo ao ar livre, qual espaço existe na vida delas para estar em contato direto com a natureza? A resposta para essa pergunta é mais importante do que pode parecer, já que essa interação traz benefícios para ambas as partes: favorece a saúde integral das crianças (concentração, desenvolvimento psicológico e motor, autoestima, resistência ao estresse) e a atitude positiva diante do meio ambiente que, sob determinadas condições, permanece até a vida adulta.

 

Como jornalista que sempre trabalhou com o público infantil, fiquei motivada a procurar uma resposta e adotei o tema como objeto de pesquisa do mestrado realizado na TU Ilmenau, universidade alemã, mas com foco em contextualizá-lo na realidade brasileira. Além disso, coloquei meus esforços em compreender como (e se) conteúdos informativos podem ser aliados na aproximação entre criança e natureza.

 

Assim, a pesquisa foi realizada para uma universidade da Alemanha, mas a coleta de dados foi feita em Belo Horizonte, MG, especificamente com os alunos do Centro Educacional Pio XII, em 2017. Fui acolhida pela escola, cuja perspectiva de educação não se limita aos próprios muros, e pelos alunos da 4a série, na época, com quem convivi durante alguns dias e de quem ouvi histórias e opiniões.

 

O que aprendi

É importante frisar que estudos acadêmicos mostram tendências e não respostas definitivas. À medida que mais conhecimento é gerado, as evidências ficam mais fortes. É sabido, por exemplo, que o afastamento das crianças da natureza é uma realidade internacional, dado que pesquisas em dezenas de países apontam para a mesma direção.

 

Os resultados da minha investigação trazem respostas para questões acadêmicas, mas também alguns aprendizados que podem ser utilizados no dia a dia. Por isso, compartilho alguns deles:

 

Elas não querem só saber de eletrônicos

É comum que crianças tenham grande familiaridade com celulares, computadores e outros aparelhos digitais e os usem com frequência, porque cresceram cercadas por eles. É parte natural do mundo delas e da forma como elas consomem informação, se comunicam e se expressam. Isso não significa, porém, que é o que elas mais gostam de fazer.  

 

Quando perguntado a elas o que realmente gostariam de fazer se pudessem escolher qualquer coisa, os eletrônicos mal foram cogitados. Brincar com os bichinhos de estimação, passear em praças, em praia, na casa de amigos, jogar futebol, ir a um parque, andar de bicicleta, visitar um avô, tomar sorvete, entre outras atividades foram as mais citadas. Note que o que eles querem mesmo é sair de casa, se movimentar. Será que as crianças passam tempo excessivo com os eletrônicos porque gostam tanto assim deles ou porque, por ficarem muito dentro de casa, essa é a possibilidade concreta que têm?

 

Elas valorizam muito o tempo em família

Muito. Mais do que talvez sejam capazes de expressar diretamente. Apesar de não ser o objetivo da pesquisa, isso ficou muito claro na interação com os alunos e penso que é um dado que vale a pena ser compartilhado. Um jogo em família, um passeio, uma visita a uma prima são motivos reais de alegria.

 

Elas conhecem poluição na teoria e na prática

Embora seja a maior fonte de aprendizado sobre o assunto, a escola não é a única a ensinar. Eles conhecem bem desflorestamento, animais em extinção e outros problemas de grandes proporções, mas também percebem o ambiente ao redor e se incomodam com cigarros no chão, odores desagradáveis, geração de lixo, barulho e problemas mais próximos da realidade deles. Eles reparam no comportamento dos adultos e têm consciência dos possíveis prejuízos que certos atos causam ao meio ambiente.

 

Elas estão abertas a experimentar

Nem todas as crianças vão, por iniciativa própria, pensar na natureza como um lugar onde gostariam de brincar, especialmente se isso não é feito com certa frequência. No entanto, com incentivos nessa direção, todas as crianças participantes da pesquisa se mostraram muito dispostas a ir para áreas verdes. Ou seja, a proposta não deve ser apenas ir para o lago, mas ir para fazer um piquenique; não apenas ir para a praça, mas levar uma bola para brincar, não apenas ir para o jardim, mas plantar alguma coisa etc. O contato com a natureza deve ser dentro de um contexto positivo e divertido no entendimento da criança. A animação, claro, varia de acordo com cada um, mas a abertura para experimentar é enorme.

 

Portas abertas

O olhar das crianças sobre o meio ambiente já é positivo e quanto mais elas leem, veem ou conversam sobre o assunto, mais se interessam e reforçam emocionalmente essa postura. Além disso, a curiosidade e a vontade de aprender tendem a aumentar, assim como o desejo de passar mais tempo em ambientes naturais ou com elementos de natureza: na companhia de animais no jardim da casa, em sítios, praias, cachoeiras etc. Em outras palavras, livrinhos, filmes, animações e vídeos, entre outros formatos de conteúdo, ainda que não sejam de aprendizado formal, favorecem a interação.

 

Manoella Oliveira dos Santos é autora de “Journalism as a sustainability partner: How can content about the environment bring children closer to nature?” (Jornalismo enquanto parceiro da sustentabilidade: como conteúdo sobre meio ambiente pode ajudar a trazer as crianças para perto da natureza?), dissertação de Mestrado realizado na Universidade Technische Universität Ilmenau, na Alemanha. 

 

Lido 218 vezes Modificado em Terça, 28 Maio 2019 15:42

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