Quarta, 25 Abril 2012 18:22

Fé na vida e no Senhor da vida

Escrito por  Editorial Boletim Salesiano
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A Páscoa, principal festa da fé cristã, é cercada de símbolos e costumes. Conheça um pouco mais sobre as tradições pascais.

 

 

A Páscoa cristã celebra a morte e a ressurreição de Cristo. Por isso é a principal festa cristã, que resume o cerne de nossa fé: a de que Jesus venceu a morte e ressuscitou! A palavra Páscoa vem do termo hebraico “pessach”, que significa “passagem”. A festa de Pessach, ou a “Páscoa Judaica”, celebra o fim da escravidão no Egito e a “passagem” para a liberdade da Terra Prometida. Conduzido por Moisés, o povo judeu atravessa o Mar Vermelho, que se abre para “dar passagem” aos filhos de Israel. É, assim, a festa da aliança de Deus com o seu povo.

Na Páscoa cristã, essa história é retomada e ganha novos significados. Jesus, o novo Moisés, conduz o seu povo para uma nova Páscoa/ Passagem da escravidão do pecado e da morte para a vida; para a ressurreição. A Nova Aliança que se celebra é a de Deus com a Igreja; com todos aqueles que buscam a salvação. Assim como Jesus faz a passagem da morte para a vida (Mistério Pascal), nós, cristãos, também somos chamados a fazer a passagem do ódio para o amor, da solidão e do egoísmo para a fraternidade, do mal para o bem e da tristeza para a alegria.

Tanto a Páscoa judaica como a cristã, por sua importância, estão repletas de símbolos e costumes. Alguns são comuns às duas religiões. Outros têm origem ainda mais antiga, nas festas pagãs em comemoração à chegada da primavera no hemisfério Norte. Outros ainda foram se modificando, ao longo dos anos, nas diferentes culturas em que o cristianismo se propagou. Conheça abaixo alguns desses símbolos, sua origem e significado.

Círio pascal

É uma grande vela que se acende na vigília pascal e permanece na igreja até o fim do chamado tempo pascal. Em geral o círio é aceso fora da igreja e introduzido no templo com a seguinte exclamação, repetida três vezes: “A luz de Cristo!”, ao que todos respondem: “Graças a Deus!”. O significado do círio pascal é claro: Cristo é a luz dos povos e venceu a morte para iluminar nosso caminho. O círio é ornado com uma cruz, com cinco cravos que têm grãos de incenso nas pontas. Essa cruz simboliza a vitória de Jesus sobre a morte e sua ressurreição. Acima e abaixo da cruz estão gravadas as letras latinas A e Z ou as letras gregas alfa e ômega, ou seja, a primeira e a última letras do alfabeto, mostrando que Jesus ressuscitado é o princípio e o fim de todas as coisas. Os algarismos do ano em curso também aparecem, para ressaltar que Cristo está vivo hoje e sempre.

O cordeiro

O cordeiro é talvez o símbolo mais antigo da Páscoa. Na tradição judaica, o cordeiro já tem um significado importante. Como o faraó não queria libertar os judeus, Deus envia ao Egito sete pragas. A última delas é a morte de todos os primogênitos. Só não morrem os filhos mais velhos das famílias judaicas que, seguindo as orientações de Moisés, matam um cordeiro para a ceia e marcam as portas das casas com o sangue desse animal. Esse cordeiro tinha de ser macho e sem nenhum defeito ou mancha. Na Páscoa cristã, o cordeiro imolado é o próprio Jesus Cristo que, também sem nenhuma mácula de pecado, foi sacrificado na cruz pela salvação de toda a humanidade. Na simbologia cristã, muitas vezes o cordeiro é representado pousado sobre a Bíblia e com uma bandeira branca e uma cruz vermelha.

Pão e vinho

Na Antiguidade, para muitos povos o pão e o vinho eram o alimento mais comum. Quando Cristo instituiu a Eucaristia na Última Ceia, oferecendo aos discípulos o pão e o vinho como seu corpo e seu sangue, ele se serviu assim dos alimentos mais corriqueiros, o que simboliza sua presença constante na vida das pessoas de boa vontade. O pão e o vinho, na Eucaristia, são o sacrifício de Cristo por nós, e recebê-los é receber o próprio Cristo, na esperança da nossa ressurreição.

O ovo e o coelho

Nas civilizações antigas, principalmente do hemisfério norte, a chegada da primavera era comemorada com festa: era o fim do inverno, da neve, e a volta do colorido, da fartura, da vida que desabrochava. Os antigos chineses já trocavam como presentes, nessa época do ano, ovos coloridos, símbolo da vida. Os persas – que acreditavam que a Terra saíra de um ovo gigante – também trocavam ovos coloridos como presentes. O coelho também é símbolo da vida, pois é um animal que se multiplica com muita facilidade. O cristianismo retomou essa tradição, tendo o ovo como símbolo da ressurreição, do nascimento para uma nova vida.

 

A Quaresma

A Quaresma é o período de 40 dias em que nos preparamos para a Páscoa. E aqui vem uma informação importante: a Páscoa não vem depois do Carnaval.

Primeiro é marcada a Páscoa, celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia da primavera no hemisfério Norte – por isso a Páscoa às vezes cai em março e, outras vezes, em abril. A partir da data da Páscoa, sabemos a data do domingo anterior, o Domingo de Ramos. São então contados os 40 dias da Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas. A Quaresma também é um tempo de conversão, de mudança, de oração e de jejum. É tempo de refletir sobre a Palavra de Deus, de se privar de algo para oferecer a quem necessita. Por isso a Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é realizada na Quaresma. Durante esse período, as pessoas de boa vontade são chamadas a refletir, à luz do Evangelho, sobre uma questão específica que aflige a sociedade em que vivemos. E, no Domingo de Ramos, são convocadas a agir e colaborar concretamente para resolver esse problema social. Neste ano de 2012, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e Saúde Pública”.

Lido 3164 vezes Modificado em Quinta, 28 Agosto 2014 20:42
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