Segunda, 24 Setembro 2018 08:54

Reconhecer, interpretar e escolher: os passos da Igreja com os jovens Destaque

Escrito por  Redação Boletim Salesiano, com informações ANS, CNBB e Vatican News
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Reconhecer, interpretar e escolher: os passos da Igreja com os jovens Foto: iStock.com

Nos próximos dias 3 a 28 de outubro, no Vaticano, será realizada a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Provenientes de todas as partes do mundo, representantes da Igreja Católica discutirão o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A novidade deste Sínodo é que ele foi todo preparado não apenas para, mas com os jovens, que contribuíram por meio de uma reunião pré-sinodal, realizada em março, e de um questionário online, respondido por mais de 100 mil jovens.

 

“O Sínodo pensado pelo Papa Francisco é um momento para dar a palavra aos jovens, um momento em que a Igreja deve convencer-se de que não se pode falar de jovens se não os deixamos falar, se não os escutamos antes”, considera o padre salesiano Rossano Sala, secretário especial do Sínodo, para quem o período preparatório à reunião foi fundamental ao permitir que os jovens manifestassem sem filtros suas opiniões.

 

O Instrumentum Laboris, documento que vai guiar as discussões do Sínodo, é a convergência desses meses de preparação, que incluiu ainda a escuta dos componentes da Igreja, nas assembleias das conferências episcopais, e também de vozes que não pertencem a ela. O documento foi estruturado em três partes: reconhecer, interpretar e escolher.

 

Instrumentum Laboris

Conforme explicou o padre Sala na coletiva de imprensa que apresentou o Instrumentum Laboris, o primeiro passo proposto para a reunião dos bispos é o de reconhecer os desafios antropológicos e culturais da atualidade no que se refere às juventudes. Por isso, o documento traz informações e reflexões sobre os novos métodos de informar-se e de relacionar-se, os efeitos do mundo digital sobre os indivíduos, a desilusão perante as instituições tradicionais, “a cultura da indecisão”, a nostalgia espiritual, entre outros aspectos das realidades juvenis.

 

A segunda passagem refere-se a uma nova forma de interpretar a questão vocacional, saindo da visão restrita pela qual a Igreja só se refere às vocações ao sagrado ministério e à vida consagrada. Por fim, vem a fase determinante do “escolher”, na qual os bispos devem indicar como a Igreja e a Pastoral Juvenil, mais especificamente, podem agir concretamente. O documento já aponta algumas linhas no sentido de acompanhar o jovem em seu cotidiano e de abrir espaços de fraternidade e verdadeira comunhão em um mundo que decididamente impele ao isolamento.

 

Na entrevista, o padre Sala sublinhou um elemento que permeia todo o documento: a solicitude por dar mais a quem tem menos. “É nesta atitude pastoral para com os pobres e necessitados que se joga a credibilidade da Igreja; e é através de propostas de voluntariado e de serviço que muitos jovens chegam a interrogar-se acerca da própria vocação e de seu papel na comunidade”, finalizou o salesiano.

 

Na ótica salesiana

Para o bispo auxiliar de Belém, PA, o salesiano dom Antônio de Assis Ribeiro, a realização de um Sínodo tendo como centro a juventude tem importância fundamental para a Igreja Católica na atualidade. “O Papa Francisco nos convida a assumirmos um compromisso muito mais sério e profundo com os jovens. Há, de fundo, uma motivação teológica, não simplesmente sociológica. O Papa nos diz que ‘Deus é jovem’, por isso a Igreja também deve se rejuvenescer. Os jovens são portadores naturais de características que devem estar presentes em toda comunidade eclesial: o dinamismo, a alegria, o otimismo, a esperança, a ousadia... A Igreja aprende com os jovens!”, considera.

 

Dom Antônio é um dos suplentes do episcopado brasileiro no Sínodo, e afirma que o tema do evento convoca a educar os jovens à fé, para que possam discernir a própria vocação. “Só pode pensar em vocação como chamado de Deus quem tem fé... daí vem o sentido para vida que está atrelado à paixão pelo Bem”, ressalta o bispo salesiano, para quem o principal objetivo do Sínodo é “buscar o modo mais adequado para acompanhar os jovens no processo de evangelização, aprofundando a dimensão vocacional como chamado à felicidade, como dom de Deus e como responsabilidade humana”. Esse acompanhamento pedagógico e espiritual do jovem, profundamente identificado com a proposta salesiana, “é uma experiência de fundamental importância para o amadurecimento humano e a experiência do discernimento vocacional. Sem o senso de projeto de vida, os jovens de hoje ficam atolados no imediatismo”.

 

“Uma preocupação importante que o Sínodo nos coloca é a perspectiva do acompanhamento, pois sabemos que esse é o maior grito dessa geração, que é bombardeada por tantas ofertas. Não se pode pensar em um projeto de vida se não há acompanhamento”, concorda o assessor nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, o salesiano padre Antônio Ramos Prado (padre Toninho).

 

Segundo ele, o Papa percebe o cenário juvenil mundial como de grande risco, representado pelo alto índice de suicídios entre os jovens, pelo número de jovens que ingressa em grupos fundamentalistas e tantas outras manifestações de que a sociedade atual não traz mais sentido para a vida das juventudes. Mas o Papa Francisco também percebe que há uma vontade de mudança, algo que nasce do coração dos jovens para transformar essa realidade.

 

“O Sínodo quer ser uma resposta ou uma motivação para que os jovens continuem em pé. Para que tenham a coragem do Profeta Jeremias, que escutou a voz de Deus: ‘Não tenha medo (...) pois estou contigo para defender-te’ (Jr 1,8). Também o Sínodo quer motivar os bispos olharem com carinho para essa porção da Igreja. Uma porção que, bem cuidada, garantirá a saúde futura da humanidade, assim como da própria Igreja”, considera o Padre Toninho, que conclui: “Enfim, esse Sínodo deverá ajudar a Igreja a mudar a sua forma de trabalhar com os jovens”.

 

Representantes da Igreja brasileira

O arcebispo de Brasília, DF, e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha, foi nomeado pelo Papa Francisco como relator geral deste Sínodo dos Bispos. A ele caberá o papel de mediador, sendo responsável por introduzir e sintetizar os assuntos expostos pelos bispos durante a reunião.

Já os representantes do episcopado brasileiro foram escolhidos durante a 56ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril: dom Vilsom Basso, bispo de Imperatriz, MA, e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude; dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, RS, e presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; dom Gilson Andrade da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador e referencial dos Ministérios e Vocações no Regional Nordeste 3; e o salesiano dom Eduardo Pinheiro da Silva, bispo de Jaboticabal, SP, que já foi presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, no período de 2011 a 2015;

O primeiro suplente é o arcebispo coadjutor de Montes Claros, MG, dom João Justino de Medeiros, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação e Cultura; e o segundo suplente é outro salesiano, o bispo auxiliar de Belém, PA, dom Antônio de Assis Ribeiro.

A representação internacional dos salesianos no Sínodo também é expressiva. Além do secretário especial, padre Rossano Sala, outro salesiano nomeado pelo Papa Francisco é o cardeal birmanês dom Charles Maung Bo, arcebispo de Yangun, que será um dos presidentes-delegados na reunião. A eles se somarão o Reitor-mor dos salesianos, padre Ángel Fernández Artime, indicado pela União dos Superiores Gerais (USG), e os bispos salesianos eleitos pelas conferências episcopais de seus respectivos países.

Lido 157 vezes Modificado em Quarta, 26 Setembro 2018 19:31

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