Terça, 09 Janeiro 2018 16:11

“Dom Bosco ensinou-nos que Deus nos quer sempre felizes”

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Estou mais do que nunca convencido que Dom Bosco continua vivo hoje, em tantas situações em que milhares e milhares de pessoas continuam teimosamente a realizar, em nome de Jesus, o seu sonho. Dom Bosco está vivo porque continua a inspirá-las e a dar-lhes a coragem para nunca desistirem.

 

Caríssimos amigos e irmãos, escrevo a mensagem para o mês de Dom Bosco tendo diante dos olhos e no coração as extraordinárias e maravilhosas experiências deste último mês e meio. Queria partilhar com vocês a emoção e a intensidade dos 14 dias vividos no Brasil-São Paulo e Recife, a riqueza e as magníficas realidades dos 11 dias na Índia, em Bangalore, Guwahati, Assam e Mumbai. Também foram muito especiais estes últimos dez dias vividos em Angola e em Moçambique.

Escrevo no avião que me leva rumo a Doha, Qatar, para outra viagem, mas tenho a alma cheia de recordações. Hoje, saudamos e celebramos a Eucaristia dominical num lugar simples e humilde. Havia duzentos adultos e crianças, muitas delas descalças, sem roupa de festa porque não a possuem. No momento da ação de graças, uma delas, uma menina, leu o que transcrevo a seguir. Pareceu-me maravilhoso e não quis guardá-lo só para mim. É tão cheio de vida que me fez pensar em uma verdade, por graça de Deus, evidente: Dom Bosco está vivo e em ação em toda parte no mundo.

 

Celebrar a vida e a amizade

Aquela menina de 12 anos leu o seguinte: “Neste momento da Eucaristia dizemos obrigado ao Senhor e a ti, padre Ángel. A tua presença ajuda-nos a celebrar a vida e a amizade. O coração tornou-se maior celebrando contigo, que trazes no coração tantas crianças e rapazes do mundo. Querido padre Ángel, pai e amigo, obrigado por teres celebrado conosco. Deus te abençoe em toda a parte onde estiveres. Rezaremos por ti e sabemos que tu rezas sempre por nós.

Queríamos acompanhar-te nas tuas viagens e ajudar-te no teu trabalho, mas, como sabes, temos ainda de estudar muito, ajudar em casa e preparar-nos para fazer bem à nossa gente.

Um dia, quando voltares, teremos mais tempo para contar todas as coisas boas que tivermos descoberto e todo o bem que tivermos feito. Dom Bosco ensinou-nos que Deus nos quer sempre felizes, fazendo bem tudo aquilo que devemos fazer.

Leva o nosso abraço a todas as crianças do mundo.

Onde estiveres, sentirás no teu coração que a nossa amizade reza por ti, e a recordação da nossa alegria te dê paz e conforto quando te sentires cansado.

Leva-nos no coração, que nós, no coração, estamos já contigo. Canta conosco esta canção, padre Ángel, porque isto é o que Deus quer: ‘Sinto-me feliz porque o meu Jesus o quer’”.

 

Dom Bosco está vivo

Essa foi a mensagem daquela menina, acompanhada por alguns jovens animadores. Mais do que nas palavras, fixava-me nos olhos deles, espelhava-me neles e sentia toda a alegria e o orgulho de pertencer a esta Família Salesiana, espalhada por todo o mundo e nascida verdadeiramente para eles, os pequenos, os mais pobres, os mais simples. É com eles que nos sentimos bem, é com eles que deveremos sempre sentir-nos bem.

Pensava nos milhares de rapazes e moças com que cruzei, neste mês e meio de viagens, e todos, embora de culturas diferentes, de raças e cores diferentes, em línguas e modos diferentes, disseram as mesmas coisas, expressaram os mesmos sentimentos.

Estou mais do que nunca convencido que Dom Bosco continua vivo hoje, em tantas situações em que milhares e milhares de pessoas continuam teimosamente a realizar, em nome de Jesus, o seu sonho. Dom Bosco está vivo porque continua a inspirá-las e a dar-lhes a coragem para nunca desistirem.

 

Tenho futuro. Nada está perdido.

Uma semana atrás, em Luanda, Angola, visitei a nossa casa que acolhe os garotos recolhidos da rua (naquele dia eram 42. O último a chegar, o “benjamim” de 6 anos, estava ali havia uma semana, e o “veterano”, havia cinco). Um dos rapazes, muito bom no rap, tinha composto uma canção para aquele momento. O tema central era: “Tenho futuro. Nada está perdido. Estou aqui e tenho futuro, tenho futuro”. Vivia na rua havia dois anos, quando a Providência quis que se encontrasse com os salesianos. E olhando para aqueles meninos, com o coração cheio de emoção, disse comigo: “Dom Bosco está vivo. Dom Bosco está vivo nesta casa, em cada um dos meus irmãos e educadores leigos salesianos que hoje lhe emprestam a palavra, o olhar e os braços para acolher esses rapazes como pais, irmãos e amigos”.

A menina de Matola, que havia me pedido para que os acolhesse no coração, tinha razão. Não posso deixar de tê-los no coração depois de os ter conhecido. É o que, como eu, fazem muitos de vocês, amigos e amigas, e tantas pessoas boas que acreditam que juntos podemos realizar grande bem, num mundo como o nosso doente de indiferença e desconfiança de tudo e de todos.

Posso assegurar a vocês que essa é a vida verdadeira. Como frequentemente dizia Santa Madre Teresa, por meio de cada pobre, cada menino, cada menina, cada adolescente e cada jovem que encontramos, este encontro, além de não ser indiferente, pode mudar para sempre a sua vida.

Obrigado ao bom Deus por tanta beleza. Obrigado ao bom Deus porque eles, os pequenos, os mais simples, aqueles que neste mundo nada contam, continuam a nos fazer bem. Em nome de Dom Bosco, obrigado!

 

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