Quinta, 30 Agosto 2018 14:32

Vidas plenas

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Visita do Reitor-mor aos Salesianos idosos, em Porto Alegre, RS Visita do Reitor-mor aos Salesianos idosos, em Porto Alegre, RS Pe. Tarcizio Paulo Odelli

Penso que é mesmo para isso que temos mais de nos empenhar: sentir que a nossa vida é plena. É uma aspiração profundamente humana. Neste sentido devo dizer que tenho conhecido muitas pessoas que vivem e viveram uma vida plena. E que nos indicam o caminho da felicidade.

 

 

Começo narrando dois fatos reais. Penso que são dignos atenção, atendendo à idade significativa das personagens.

 

Em maio, depois da sugestiva festa de Maria Auxiliadora em Turim-Valdocco, iniciei a minha visita às obras salesianas da Croácia. Devo confessar que fiquei fortemente impressionado com a solidez das comunidades cristãs que lá encontrei, muito impressionado com os jovens que encontrei, centenas de jovens de hoje, modernos, hiperligados, imersos na rede digital como todos os jovens do mundo, mas com uma consistência em viver a fé cristã que penetrou profundamente no meu coração.

 

Numa das casas salesianas chegamos às 22h. No pátio, fomos acolhidos com uma música de dança regional caraterística. Um enorme grupo de crianças, adolescentes, jovens e pais estava lá à nossa espera. Estava também toda a comunidade salesiana e, no meio deles, vi um irmão salesiano que parecia dos tempos de Dom Bosco, de rosto sorridente e cheio de paz, dançando e cantando com os jovens enquanto aguardava para nos dar as boas-vindas.

 

No dia seguinte pude ver, em diversos momentos das várias celebrações, que este nosso irmão de 90 anos era aclamado pelos jovens, que o aplaudiam, chamavam por ele, e ele sorria feliz no meio deles. E eu pensava na frase de Dom Bosco: “convosco sinto-me bem”.

 

Disse comigo: eis um salesiano que teve e continua tendo uma vida plena. Não disse uma vida fácil (também teve de sofrer a fome e a dureza da Segunda Guerra Mundial, contou-me ele), mas teve uma vida plena de sentido e plena da felicidade do essencial.

 

“No próximo ano no Paraíso”

Poucos dias antes, na festa de Valdocco, outro salesiano de 94 anos estava lá comigo. Viver a festa de Maria Auxiliadora em Valdocco foi sempre um presente inestimável para ele, mesmo se a cada passo, brincando, afirmava: “No próximo ano estarei já no Paraíso!”. Mas também este ano conseguimos celebrar aquele dia juntos.

 

Pois bem, foi grande a minha surpresa quando, com os seus 94 anos, se oferecia muitas vezes para acompanhar salesianos e leigos provenientes da Argentina em visita a alguns dos lugares mais significativos de Turim, como o Santuário da Consolata. No regresso estavam cansados, especialmente ele, mas durante vários dias partilhou com aquela gente a alegria de estar na casa de Dom Bosco e de saber tudo o que isso significa.

 

Eu continuava a perguntar-me: de onde vem essa força, essa motivação? A resposta é simples e lógica. Como cantava Bob Dylan: “The answer, my friend, is blowin’ in the wind” - A resposta, meu amigo, está soprando no vento. O vento de Dom Bosco que continua soprando no coração dos salesianos e infla as velas da nossa Família. O vento de um Espírito que nunca cessará de nos dar um grande conforto. Não obstante os anos que passam.

 

Apresento ainda um testemunho que julgo ter um forte impacto em todo o mundo. O Papa Francisco fará 82 anos em dezembro, se for da vontade de Deus. E isto impressiona as consciências do mundo porque a sua opção é viver uma vida simples e impregnada de Evangelho. Moralmente é considerado o homem mais influente no mundo atual. As suas mensagens são carregadas de simplicidade e de autenticidade, um forte convite para aqueles que desejam ser tocados por ele e deixar-se invadir pela força de Jesus.

 

Aqui está a plenitude dessas vidas e de muitas outras.

 

Quando a força é o amor

Trata-se de vidas que querem viver no serviço, na doação, no amor.

 

A vida de milhões e milhões de mães, de pais, de avós (homens e mulheres) que se sentem plenamente realizados numa vida de doação. Quando a força da vida é o amor, então o incômodo, o sacrifício, a fadiga, a animação entre os jovens durante a noite, ou o andar cansativo pela cidade em vez de ir repousar, não são pesados, não custam.

 

Impressionou-me e comoveu-me uma história que tem muito a ver com o amor ou o incômodo com os sacrifícios. Diz-se que numa aldeia africana chegou um turista ocidental com o seu traje de safári e as suas cintilantes máquinas fotográficas, e viu uma menina de dez anos, franzina e miudinha, que levava um menino gorducho nas costas. O turista disse à pequena: “Menina, não te custa levar uma carga tão pesada?”. A menina, com uma grande calma e um coração cheio de amor, respondeu: “Não é um peso, senhor, é o meu irmão”. 

 

Essa é a chave de uma vida plena, qualquer que seja o caminho pelo qual o Senhor nos chamou. Uma vida repleta de amor. Assim desejamos que seja a nossa.

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