Quarta, 03 Janeiro 2018 14:57

Lançada a Estreia 2018: Fonte de água viva

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Na Estreia 2018, com o tema “Senhor, dá-me dessa água” (Jo 4,15), o Reitor-mor convida toda a Família Salesiana a cultivar “a arte de escutar e de acompanhar”.

 

A Estreia 2018, tema proposto pelo Reitor-mor dos Salesianos para acompanhar as reflexões e ações da Família Salesiana durante todo o ano, está em perfeita consonância com o próximo Sínodo dos Bispos, que tratará sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A frase que sintetiza o tema corresponde ao pedido que a Samaritana dirige a Jesus junto ao poço de Jacó: “Senhor, dá-me dessa água” (Jo 4,15). A Estreia continua com um chamado a todos os que, inspirados no fundador Dom Bosco, estão a serviço da juventude: “Cultivemos a arte de escutar e de acompanhar”.

 

Um encontro que não nos deixa indiferentes

Ao indicar qual seria o tema da Estreia 2018, o Reitor-mor, padre Ángel Fernández Artime, propôs um percurso de reflexão a partir da passagem evangélica conhecida como “o encontro de Jesus com a mulher samaritana” (Jo 4,3-42). É no relacionamento estabelecido entre Jesus e a Samaritana, e nas consequências que esse encontro tem na vida da mulher, que a Família Salesiana deve basear sua atitude de escuta e de acompanhamento dos jovens.

“Jesus, verdadeiro protagonista e primeiro sujeito do encontro, da escuta e do diálogo inicial, ‘desenha’ a estratégia do encontro, a começar com a escuta da outra pessoa e da situação, que Ele intui”, explica o Reitor-mor. A mesma escuta atenta e aberta nos pede o Papa Francisco na encíclica A alegria do Evangelho (EG, 171): “Precisamos de nos exercitar na arte de escutar, que é mais do que ouvir. Escutar, na comunicação com o outro, é a capacidade do coração que torna possível a proximidade, sem a qual não existe um verdadeiro encontro espiritual”.

Esta escuta, que tem como ponto de partida o encontro, significa: estar aberto ao outro, prestar toda atenção ao que a pessoa diz ou deseja comunicar, acompanhar o outro com interesse verdadeiro e deixar de lado o próprio mundo para aproximar-se o mais possível da situação que o interlocutor apresenta. “O nosso olhar de educadores, voltado de modo particular aos jovens, e também à vida de suas famílias, assegura-nos que há muito de positivo em cada coração, e é preciso fazer emergir esse positivo, através de um paciente trabalho de atenção a si mesmo, de diálogo com os outros, de escuta e reflexão”, afirma padre Ángel Artime, fazendo referência a um dos ensinamentos de Dom Bosco: “Em todo jovem... existe um ponto sensível ao bem, e primeiro dever do educador é buscar esse ponto, essa corda sensível do coração” (Cf. MB V, 367 e 266, citação do CG 23, n. 151).

A escuta é o caminho para que o educador possa compreender realmente os anseios dos jovens de hoje. Em geral o jovem não busca diretamente um acompanhamento, mesmo diante de situações problemáticas e dificuldades. Mas é mais fácil que se aproxime e busque ajuda se há alguém que faz o primeiro gesto de interesse por ele, alguém que se mostra disponível e aberto. Foi esta postura e iniciativa que teve Jesus diante da mulher samaritana.

 

Um encontro que impulsiona

Ainda seguindo o diálogo de Jesus com a mulher de Samaria, o Reitor-mor chama a perceber como Jesus conduz o diálogo para levar a Samaritana a repensar sua própria vida. “Jesus, como mestre de sabedoria e hábil conversador, serve-se de todos os recursos da palavra – conversação e gestos – para encontrar as pessoas. Faz perguntas, dialoga, explica, narra (...). Jesus, que busca o bem do outro, do seu interlocutor, estabelece uma relação pessoal em vez de emitir um juízo moral de desaprovação ou repreensão”.

A postura de diálogo, de alguém que propõe sem acusar, é a que leva o outro – no caso a mulher samaritana - a discernir sobre o que quer para sua vida. O olhar de Jesus não se prende ao passado; ele busca que a pessoa perceba sua situação presente e oferece uma alternativa para o futuro. “A sua linguagem, as suas palavras são dirigidas ao coração daquele com que fala”, completa padre Ángel.

Essa atitude nos faz pensar o quanto é importante, hoje, o dom do discernimento. “O discernimento – diz o Papa (no documento preparatório ao Sínodo dos Bispos) é ‘o instrumento principal, que permite salvaguardar o espaço inviolável da consciência, sem pretender substituir-se a ela’, justamente porque ‘somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las’, seguindo o exemplo de Jesus que, no diálogo com a mulher Samaritana, a acompanha na viagem à verdade e à interioridade da sua própria vida”.

 

Um encontro que transforma

A mulher deixa a sua bilha e vai à cidade, anunciar aos samaritanos seu encontro com Jesus. É um encontro que transforma a sua vida, e por isso a necessidade de comunicar aos outros, de dar seu testemunho: “Muitos Samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: ‘Ele me disse tudo o que eu fiz’. Os Samaritanos foram a ele e pediram que permanecesse com eles; e ele permaneceu lá dois dias. Muitos outros ainda creram por causa da palavra dele, e até disseram à mulher: ‘Já não é por causa daquilo que contaste que cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que esse é verdadeiramente o Salvador do mundo’” (Jo 4, 27-30, 39-42).

A imagem de Deus que é comunicada por Jesus à Samaritana não é distante e fria. Jesus revela-se em sua proximidade, no diálogo, na vontade de “permanecer” com os que querem experimentar a água da vida. No acompanhamento. “A conclusão do encontro vai além do que se esperaria num final normal, isto é, que a mulher retorne à sua vida com a bilha cheia de água; contudo, a bilha, que a mulher deixa abandonada e vazia para ir chamar os seus, fala-nos de um ganho e não de uma perda”, ressalta o Reitor-mor, convocando os educadores salesianos a, como Jesus, perceberem a importância do acompanhamento. “Como Jesus fez em cada encontro, é necessário em cada experiência de acompanhamento: um olhar amável, como o de Jesus aos doze, no chamado vocacional (Jo 1,35-51); uma palavra autorizada, como Jesus pronunciou na sinagoga de Cafarnaum (Lc 4,32); a capacidade de fazer-se próximo, como Jesus no encontro com a mulher Samaritana (Jo 4,3-34. 49-42); optar por caminhar junto, fazer-se companheiro de estrada, como Jesus com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35)”.

A última parte da Estreia 2018 trata da aplicação pastoral dessa reflexão, para atender as necessidades do jovem e da Igreja no momento presente de acordo com o que é próprio da espiritualidade salesiana. Entre os pontos que o Reitor-mor aponta como fundamentais estão: caminhar “com” (e não somente “para”) os jovens e suas famílias; oferecer oportunidades a todos os jovens, sem excluir ninguém; agir como comunidade educativo-pastoral que se sente responsável pela educação das novas gerações; construir comunidades em que os adultos-educadores sejam “pessoas de referência, significativas e críveis”. A proposta é pensar, na companhia da samaritana “como Jesus chamou os seus, para quais metas nosconduziria hoje?”.

 

Lido 1581 vezes Modificado em Terça, 09 Janeiro 2018 16:07
Ana Cosenza

Editora do Boletim Salesiano - Brasil

e-mail: imprensabs@gmail.com

 

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