A mensagem, publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, recorda que este tempo litúrgico é uma ocasião favorável para “recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.
“Todo caminho de conversão começa quando nos deixamos tocar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito”, afirma o Pontífice no início do texto, salientando que é na medida em que se dá espaço à Palavra e à graça divina que elas podem agir e transformar a vida das pessoas.
A escuta da Palavra é o primeiro passo para iniciar um autêntico caminho de conversão. Além disso, Leão XIV destaca que “a escuta é um traço distintivo” do próprio Deus, atento ao clamor dos oprimidos.
“Vi a miséria do meu povo no Egito e ouvi seu clamor” (Êx 3,7), cita o Santo Padre, que convida os fiéis a imitar o exemplo divino e, assim como Deus ouve e se inclina para os pobres, também os cristãos são mandados “a reconhecer que a condição dos pobres é um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida”.
O passo seguinte à escuta é o jejum, prática ascética antiga, que serve “para discernir e ordenar os apetites”, orientando-o para Deus e para agir no bem.
Nesse sentido, após reafirmar o valor e a eficiência do jejum que envolve o corpo, o Santo Padre exorta também a um jejum de caráter simbólico: o jejum “das palavras que ferem e machucam o próximo”. Trata-se, portanto, de um convite a “desarmar a linguagem”, na certeza de que, assim, “muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e de paz”.
Por fim, o Papa ressalta a dimensão da comunidade, tanto da escuta da Palavra quanto da prática do jejum — sem as quais qualquer boa intenção corre o risco de alimentar o orgulho do coração. Por isso, convida a viver a escuta e o jejum de forma partilhada, num caminho comum no qual “a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum sustente um verdadeiro arrependimento”.
A mensagem completa de Leão XIV está disponível aqui.