Oriente Médio: a rede salesiana se estabelece como um abrigo para os deslocados Destaque

Terça, 31 Março 2026 13:32 Escrito por  Agência Info Salesiana
A campanha “Emergência Oriente Médio”, promovida pelas Misiones Salesianas, Procuradoria Missionária Salesiana com sede em Madri, contribui para responder às necessidades urgentes da população deslocada, que, em muitos casos, perdeu tudo.


Um mês depois da escalada do conflito no Oriente Médio, ainda sem perspectivas de solução rápida, o Líbano mergulha em grave crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas, milhares de vítimas, e uma população progressivamente mais vulnerável. Nesse cenário crítico, as obras salesianas sustentam ações de educação, acolhida e apoio psicológico, configurando-se como última rede de proteção para a infância.

A guerra no Oriente Médio completa seu primeiro mês com efeitos devastadores no Líbano. Dados de campo indicam que o conflito já provocou mais de 1.200 mortes e o número de feridos supera os 17 mil, em um país que já enfrentava extrema fragilidade estrutural, com cerca de 1,9 milhão de refugiados e 30% da população abaixo da linha da pobreza antes da recente ofensiva de Israel.

Soma-se a esse quadro um dado particularmente alarmante: mais de um milhão de pessoas foram deslocadas em poucas semanas, muitas obrigadas a abandonar suas casas devido aos bombardeios no Sul do país e nos subúrbios de Beirute.

As estatísticas escondem histórias concretas, como a de Lucian, refugiado iraquiano de 15 anos acolhido pelos missionários salesianos, que descreve a sua rotina marcada pelo medo: “as explosões são muito intensas. Mal consigo dormir à noite, sobretudo, quando disparam as sirenes”. A proximidade dos ataques e a incerteza constante alteraram profundamente a vida de crianças e adolescentes: “vivemos todos os dias com medo, sem saber o que acontecerá em seguida”, relata a jovem Florina.

O impacto não é apenas psicológico. A guerra interrompeu o processo educativo, dificultando o acesso à internet, eliminando espaços seguros de estudo e gerando forte desmotivação. “Às vezes penso que todo o meu esforço pode se perder”, reconhece outra aluna salesiana. Muitos desses jovens já eram refugiados de conflitos anteriores, o que faz com que a situação atual reative ou agrave traumas preexistentes.

 

Reinventar-se diariamente

Diante desse cenário de insegurança generalizada, as casas salesianas precisaram se reinventar. Centros como Anjos da Paz, em Beirute, suspenderam as atividades presenciais e implementaram sistemas diários de educação on-line, acompanhados de apoio psicossocial. Mais do que assegurar a continuidade da aprendizagem, essas iniciativas assumem um papel estratégico: preservar uma rotina educativa tornou-se um instrumento essencial de proteção diante dos impactos psicológicos da guerra. “Esta sala de aula digital é o único refúgio que lhes resta”, afirma uma professora.

Paralelamente, os centros reforçaram protocolos de emergência, incluindo planos de evacuação, equipes de crise, monitoramento contínuo da segurança e sistemas permanentes de comunicação com as famílias.

Em alguns casos, porém, unidades tiveram de suspender completamente as atividades educativas para acolher deslocados, deixando crianças e adolescentes sem acesso à escolarização por semanas.

Acolhida de pessoas deslocadas

A resposta salesiana também se concentra na acolhida de pessoas deslocadas. Na Casa Salesiana de Al Houssoun, por exemplo, são acolhidas atualmente dezenas de famílias deslocadas internas, em sua maioria provenientes do distrito de Nabatieh, no Sul do país, incluindo recém-nascidos e idosos, cujas residências foram danificadas pelos bombardeios.

A comunidade acolhida permanece estável desde o início do conflito, uma vez que o centro já opera em sua capacidade máxima e não consegue receber novos grupos, apesar de solicitações quase diárias. O fluxo intenso de famílias pressiona ainda mais comunidades já fragilizadas. Em muitos casos, famílias locais abriram suas casas para acolher outras, compartilhando recursos escassos e enfrentando elevada sobrecarga emocional.

A solidariedade salesiana

Diariamente, é garantida ao menos uma refeição quente, além da distribuição de alimentos básicos, produtos de higiene, assistência médica, aquecimento e acompanhamento contínuo às famílias acolhidas, em um contexto agravado pelo frio e pela escassez de recursos.

A acolhida, entretanto, apresenta desafios significativos. A maioria das famílias assistidas pertence à comunidade xiita, o que introduz uma dimensão adicional num contexto social e político profundamente fragmentado. Ainda assim, a comunidade salesiana reafirma que sua resposta não pode ser condicionada por divisões, mas orientada pela urgência de proteger a vida humana.

“Vivemos uma tensão constante entre a nossa humanidade e o medo”, relata uma colaboradora do ambiente salesiano que acolheu outra família em sua própria casa. A ação salesiana se concretiza também em intervenções que devolvem dignidade às pessoas. É o caso de uma mãe deslocada que chegou com seu recém-nascido, sem recursos e sem acesso a cuidados médicos. Graças à mediação dos salesianos, o bebê recebeu atendimento gratuito. “Eles acreditavam ter perdido tudo, mas recuperaram algo essencial: a esperança”, afirma o responsável pela acolhida da casa salesiana.

Neste cenário, os professores desempenham funções que vão além da esfera pedagógica. “Não somos apenas professores; somos apoio emocional, referências e fonte de estabilidade”, destacam membros da comunidade educativa salesiana. Apesar do medo, da incerteza e das limitações materiais — como o aumento do custo do combustível e a escassez de recursos básicos — as obras salesianas permanecem ativas, adaptando-se continuamente a uma realidade em rápida transformação.

Educar, proteger e acompanhar

Para além do Líbano, o panorama do Oriente Médio evidencia uma crise prolongada e de elevada complexidade. As presenças salesianas na região alertam que a guerra não se limita à destruição de infraestruturas, mas corrói profundamente o tecido social e compromete as perspectivas de futuro de milhares de jovens. Em contextos como o da Palestina, as restrições à mobilidade, a violência recorrente e a escassez de oportunidades impactam severamente o acesso à educação e ao trabalho, empurrando um número crescente de famílias para situações-limite.

É por isso que o superior dos Salesianos no Oriente Médio, padre Simon Zakerian, destaca “a importância de manter a missão educativa e pastoral como um sinal de esperança em meio à crise. As presenças salesianas continuam a acompanhar crianças, jovens e famílias, não apenas com ajuda material, mas também criando espaços de acolhimento, diálogo e reconstrução do senso de comunidade”.

A ajuda às famílias deslocadas continua

A situação no Líbano continua a piorar e as necessidades aumentam a cada dia. O aumento dos deslocamentos, a destruição de moradias e a impossibilidade de muitas famílias retornarem às suas casas indicam uma crise prolongada. As obras salesianas continuam a atuar para garantir alimentação, abrigo, educação e apoio psicológico a milhares de pessoas, especialmente crianças e jovens.

Diante desse cenário de grande complexidade, os salesianos no Oriente Médio reafirmam o núcleo de sua missão: acolher, sem distinção, quem necessita e sustentar a esperança mesmo nas circunstâncias mais adversas. “Não agimos a partir de divisões políticas, mas de uma convicção mais profunda: o amor deve prevalecer sobre o medo, a unidade sobre a divisão e a paz sobre a violência”, afirmam os Filhos de Dom Bosco.

Hoje, mais do que nunca, a ajuda é urgente. Colaborar com «Misiones Salesianas» e com a campanha «Emergência Oriente Médio» significa contribuir para que crianças e adolescentes não percam o acesso à educação, à estabilidade emocional e às perspectivas de futuro.

Para mais informações sobre a Campanha "Emergência Oriente Médio acesse: www.misionessalesianas.org

Por: Agência Info Salesiana

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Oriente Médio: a rede salesiana se estabelece como um abrigo para os deslocados Destaque

Terça, 31 Março 2026 13:32 Escrito por  Agência Info Salesiana
A campanha “Emergência Oriente Médio”, promovida pelas Misiones Salesianas, Procuradoria Missionária Salesiana com sede em Madri, contribui para responder às necessidades urgentes da população deslocada, que, em muitos casos, perdeu tudo.


Um mês depois da escalada do conflito no Oriente Médio, ainda sem perspectivas de solução rápida, o Líbano mergulha em grave crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas, milhares de vítimas, e uma população progressivamente mais vulnerável. Nesse cenário crítico, as obras salesianas sustentam ações de educação, acolhida e apoio psicológico, configurando-se como última rede de proteção para a infância.

A guerra no Oriente Médio completa seu primeiro mês com efeitos devastadores no Líbano. Dados de campo indicam que o conflito já provocou mais de 1.200 mortes e o número de feridos supera os 17 mil, em um país que já enfrentava extrema fragilidade estrutural, com cerca de 1,9 milhão de refugiados e 30% da população abaixo da linha da pobreza antes da recente ofensiva de Israel.

Soma-se a esse quadro um dado particularmente alarmante: mais de um milhão de pessoas foram deslocadas em poucas semanas, muitas obrigadas a abandonar suas casas devido aos bombardeios no Sul do país e nos subúrbios de Beirute.

As estatísticas escondem histórias concretas, como a de Lucian, refugiado iraquiano de 15 anos acolhido pelos missionários salesianos, que descreve a sua rotina marcada pelo medo: “as explosões são muito intensas. Mal consigo dormir à noite, sobretudo, quando disparam as sirenes”. A proximidade dos ataques e a incerteza constante alteraram profundamente a vida de crianças e adolescentes: “vivemos todos os dias com medo, sem saber o que acontecerá em seguida”, relata a jovem Florina.

O impacto não é apenas psicológico. A guerra interrompeu o processo educativo, dificultando o acesso à internet, eliminando espaços seguros de estudo e gerando forte desmotivação. “Às vezes penso que todo o meu esforço pode se perder”, reconhece outra aluna salesiana. Muitos desses jovens já eram refugiados de conflitos anteriores, o que faz com que a situação atual reative ou agrave traumas preexistentes.

 

Reinventar-se diariamente

Diante desse cenário de insegurança generalizada, as casas salesianas precisaram se reinventar. Centros como Anjos da Paz, em Beirute, suspenderam as atividades presenciais e implementaram sistemas diários de educação on-line, acompanhados de apoio psicossocial. Mais do que assegurar a continuidade da aprendizagem, essas iniciativas assumem um papel estratégico: preservar uma rotina educativa tornou-se um instrumento essencial de proteção diante dos impactos psicológicos da guerra. “Esta sala de aula digital é o único refúgio que lhes resta”, afirma uma professora.

Paralelamente, os centros reforçaram protocolos de emergência, incluindo planos de evacuação, equipes de crise, monitoramento contínuo da segurança e sistemas permanentes de comunicação com as famílias.

Em alguns casos, porém, unidades tiveram de suspender completamente as atividades educativas para acolher deslocados, deixando crianças e adolescentes sem acesso à escolarização por semanas.

Acolhida de pessoas deslocadas

A resposta salesiana também se concentra na acolhida de pessoas deslocadas. Na Casa Salesiana de Al Houssoun, por exemplo, são acolhidas atualmente dezenas de famílias deslocadas internas, em sua maioria provenientes do distrito de Nabatieh, no Sul do país, incluindo recém-nascidos e idosos, cujas residências foram danificadas pelos bombardeios.

A comunidade acolhida permanece estável desde o início do conflito, uma vez que o centro já opera em sua capacidade máxima e não consegue receber novos grupos, apesar de solicitações quase diárias. O fluxo intenso de famílias pressiona ainda mais comunidades já fragilizadas. Em muitos casos, famílias locais abriram suas casas para acolher outras, compartilhando recursos escassos e enfrentando elevada sobrecarga emocional.

A solidariedade salesiana

Diariamente, é garantida ao menos uma refeição quente, além da distribuição de alimentos básicos, produtos de higiene, assistência médica, aquecimento e acompanhamento contínuo às famílias acolhidas, em um contexto agravado pelo frio e pela escassez de recursos.

A acolhida, entretanto, apresenta desafios significativos. A maioria das famílias assistidas pertence à comunidade xiita, o que introduz uma dimensão adicional num contexto social e político profundamente fragmentado. Ainda assim, a comunidade salesiana reafirma que sua resposta não pode ser condicionada por divisões, mas orientada pela urgência de proteger a vida humana.

“Vivemos uma tensão constante entre a nossa humanidade e o medo”, relata uma colaboradora do ambiente salesiano que acolheu outra família em sua própria casa. A ação salesiana se concretiza também em intervenções que devolvem dignidade às pessoas. É o caso de uma mãe deslocada que chegou com seu recém-nascido, sem recursos e sem acesso a cuidados médicos. Graças à mediação dos salesianos, o bebê recebeu atendimento gratuito. “Eles acreditavam ter perdido tudo, mas recuperaram algo essencial: a esperança”, afirma o responsável pela acolhida da casa salesiana.

Neste cenário, os professores desempenham funções que vão além da esfera pedagógica. “Não somos apenas professores; somos apoio emocional, referências e fonte de estabilidade”, destacam membros da comunidade educativa salesiana. Apesar do medo, da incerteza e das limitações materiais — como o aumento do custo do combustível e a escassez de recursos básicos — as obras salesianas permanecem ativas, adaptando-se continuamente a uma realidade em rápida transformação.

Educar, proteger e acompanhar

Para além do Líbano, o panorama do Oriente Médio evidencia uma crise prolongada e de elevada complexidade. As presenças salesianas na região alertam que a guerra não se limita à destruição de infraestruturas, mas corrói profundamente o tecido social e compromete as perspectivas de futuro de milhares de jovens. Em contextos como o da Palestina, as restrições à mobilidade, a violência recorrente e a escassez de oportunidades impactam severamente o acesso à educação e ao trabalho, empurrando um número crescente de famílias para situações-limite.

É por isso que o superior dos Salesianos no Oriente Médio, padre Simon Zakerian, destaca “a importância de manter a missão educativa e pastoral como um sinal de esperança em meio à crise. As presenças salesianas continuam a acompanhar crianças, jovens e famílias, não apenas com ajuda material, mas também criando espaços de acolhimento, diálogo e reconstrução do senso de comunidade”.

A ajuda às famílias deslocadas continua

A situação no Líbano continua a piorar e as necessidades aumentam a cada dia. O aumento dos deslocamentos, a destruição de moradias e a impossibilidade de muitas famílias retornarem às suas casas indicam uma crise prolongada. As obras salesianas continuam a atuar para garantir alimentação, abrigo, educação e apoio psicológico a milhares de pessoas, especialmente crianças e jovens.

Diante desse cenário de grande complexidade, os salesianos no Oriente Médio reafirmam o núcleo de sua missão: acolher, sem distinção, quem necessita e sustentar a esperança mesmo nas circunstâncias mais adversas. “Não agimos a partir de divisões políticas, mas de uma convicção mais profunda: o amor deve prevalecer sobre o medo, a unidade sobre a divisão e a paz sobre a violência”, afirmam os Filhos de Dom Bosco.

Hoje, mais do que nunca, a ajuda é urgente. Colaborar com «Misiones Salesianas» e com a campanha «Emergência Oriente Médio» significa contribuir para que crianças e adolescentes não percam o acesso à educação, à estabilidade emocional e às perspectivas de futuro.

Para mais informações sobre a Campanha "Emergência Oriente Médio acesse: www.misionessalesianas.org

Por: Agência Info Salesiana

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