A Animação Missionária Juvenil (AMJ) realizou 3.159 visitas missionárias durante as três etapas promovidas pela Inspetoria Salesiana São Pio X em 2026. Entre 12 de julho e 1º de agosto, cerca de 500 adolescentes participaram das experiências no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
A primeira etapa ocorreu de 12 a 18 de julho, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Ponta Grossa, PR, com cerca de 140 participantes. Os missionários visitaram 756 casas e famílias. Os oratórios festivos reuniram durante toda a semana cerca de 370 crianças.
Em Itajaí, SC, aproximadamente 200 adolescentes participaram da AMJ entre 19 e 25 de julho. As atividades envolveram a Paróquia São João Bosco, o Colégio Salesiano Itajaí e a Obra Social Parque Dom Bosco. Ao longo da semana, foram realizadas 1.035 visitas.
A etapa do Rio Grande do Sul ocorreu de 26 de julho a 1º de agosto, no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora e na Paróquia São Judas Tadeu, em Bagé. Cerca de 133 participantes visitaram 1.368 famílias de seis comunidades.
AMJ 2026 celebra 15 anos
Criada como uma experiência missionária para adolescentes das presenças salesianas, a AMJ completou 15 anos em 2026. O projeto mobilizou, ao longo desse período, jovens, coordenadores, assessores, Salesianos de Dom Bosco, Filhas de Maria Auxiliadora, integrantes da Família Salesiana e leigos comprometidos com a missão.
Para o padre Sérgio Ramos de Souza, vice-inspetor e coordenador inspetorial de Formação, a celebração recorda as pessoas que ajudaram a construir essa caminhada. “Celebrar os 15 anos da AMJ é agradecer, é ter um coração agradecido, como nos ensinava nosso pai e mestre Dom Bosco”, afirmou.
Além de recordar a trajetória, a comemoração reforçou a finalidade pastoral do projeto. A proposta combina oração, formação, convivência, visitas às famílias, celebrações e atividades com crianças e adolescentes.
“A AMJ procurou ser, ao longo destes tempos, um sinal da presença constante de Deus na vida das pessoas, mas, sobretudo, ser para os adolescentes e jovens uma experiência concreta de fé, crescimento e maturidade”, explicou o padre Ademir Ricardo Cwendrych, inspetor da Inspetoria Salesiana São Pio X.
Segundo o inspetor, a experiência ajuda os participantes a colocar a fé a serviço do próximo. As visitas, as bênçãos nas casas e os oratórios permitem que os adolescentes encontrem realidades diferentes das suas e assumam responsabilidades concretas durante a missão.
Missão amplia perspectivas dos adolescentes
O contato com as famílias foi um dos elementos mais citados pelos participantes. Durante as visitas, os grupos visitaram casas, escutaram histórias, rezaram com os moradores e conheceram diferentes contextos sociais e comunitários.
Giovana Campaner de Felipe, de Cambé, PR, destacou a mudança de perspectiva provocada por esses encontros. “O que mais me marcou foi visitar as casas e conhecer a realidade das pessoas, principalmente nas comunidades mais pobres. A gente começa a valorizar aquilo que tem, a sair da nossa bolha e a ver o mundo de um jeito diferente”, relatou.
A experiência também reservou momentos para que os adolescentes refletissem sobre a própria fé. As atividades diárias foram acompanhadas por orações, formações e espaços de partilha.
Camila Bavorovski dos Santos, de Curitiba, PR, ressaltou a relação entre o serviço e a espiritualidade. “Aqui a gente faz missão, mas também reflete muito sobre a nossa espiritualidade, sobre como a gente está e sobre como quer transmitir esse amor de Deus e refletir essa luz de Deus para o mundo”, disse.
Na etapa de Santa Catarina, o encontro com as famílias ajudou os participantes a reconhecer a força da fé presente nas comunidades. Gabriel, de Rio do Sul, SC, participou da AMJ pela primeira vez depois de ter recusado um convite anterior.
“Eu vim com muito medo e achei que talvez não fosse uma coisa que combinasse comigo. Quando cheguei, a cada dia a AMJ foi me surpreendendo. Nas visitas, a gente encontra na fé do povo uma esperança na juventude”, contou.
A programação também favoreceu a reflexão sobre escolhas pessoais, vocação e projeto de vida. A proposta não se restringiu ao discernimento da vida religiosa ou sacerdotal, mas ajudou os participantes a pensar como desejam viver a fé e o serviço nos diferentes caminhos vocacionais.
“Nas três AMJ, nos três estados aqui do Sul, nós propomos um encontro pessoal e comunitário de cada adolescente com Deus e consigo mesmo”, afirmou o padre Edvaldo Nogueira da Silva, delegado inspetorial para a Animação Missionária. Segundo ele, a experiência oferece elementos para que os jovens reflitam sobre o chamado de Deus e construam seu projeto de vida.
Oratórios fortalecem a presença salesiana
Os oratórios festivos ocuparam um lugar central nas três etapas. As atividades aproximaram os missionários das crianças e dos adolescentes das comunidades por meio de brincadeiras, esportes, danças, convivência e momentos de espiritualidade.
O oratório expressa uma das principais características da presença educativa salesiana: estar entre os jovens e construir relações no pátio. “Para Dom Bosco, o pátio é lugar de encontro com Deus, lugar de amizade, lugar de construir relações”, explicou Leonardo Donel, pós-noviço salesiano que participou das etapas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Na AMJ, os adolescentes não foram apenas participantes. Eles ajudaram a preparar e conduzir as brincadeiras, acolher as crianças e acompanhar os diferentes espaços dos oratórios.
Durante a etapa do Paraná, Gustavo Antunes dos Santos, de Curitiba, PR, relatou o encontro com uma criança que permanecia afastada das brincadeiras. “O que mais tocou meu coração foi um menininho chamado Gustavo, o mesmo nome que o meu. Ele só queria ficar olhando as outras crianças brincarem. Eu o chamei para brincar, e ele aceitou”, contou.
Depois do convite, a criança participou das atividades, pulou corda, jogou bola e interagiu com as demais. Para o jovem missionário, o episódio mostrou a importância de perceber quem está à margem e oferecer atenção individual dentro do ambiente do oratório.
Experiência continua na vida cotidiana
Ao final de cada etapa, os participantes foram convidados a levar para suas famílias, escolas, paróquias, grupos juvenis e presenças salesianas os aprendizados construídos durante a semana.
O itinerário formativo da AMJ reforça que a missão não termina com o retorno para casa. A experiência deve continuar nas relações cotidianas, na participação comunitária, no cuidado com as pessoas e no compromisso com o próprio projeto de vida.
Por: Eduardo Schmitz
Inspetoria São Pio X