Por que a Igreja realiza um Sínodo para a Amazônia? Destaque

Domingo, 06 Outubro 2019 15:38 Escrito por  Com informações: REPAM (Rede Eclesial Pan Amazônica), ANS (Agência iNfo Salesiana), CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e Vatican News.
Por que a Igreja realiza um Sínodo para a Amazônia? Filipe Frazão/iStock.com
Nos dias 6 a 27 de outubro, realiza-se em Roma, na Itália, o Sínodo Especial dos Bispos para a Amazônia. Mas você sabe o que é um Sínodo? O que exatamente será discutido nesse evento? E por que o Papa Francisco convocou uma reunião episcopal para tratar sobre a Amazônia? Conheça mais sobre o Sínodo!  

O que é um Sínodo?

Um Sínodo é uma assembleia de bispos, convocada pelo Papa para discutir algo geral ou específico, e que ajuda o Sumo Pontífice a refletir sobre determinado tema e a tomar suas decisões. A “assembleia sinodal” foi instituída pelo Papa Paulo VI em 1965. Vale ressaltar que o Sínodo é um organismo consultivo, e não deliberativo. Ou seja: o Papa convoca a assembleia do Sínodo para ouvir a opinião dos bispos sobre um assunto ligado à vida e à missão da Igreja. Ao final da assembleia, os bispos entregam ao Papa um documento com algumas propostas. Mas é o Papa quem toma as decisões.

 

Qual é o tema deste Sínodo?

O tema de um Sínodo é escolhido pelo Papa e o deste Sínodo especial é “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Como explicou o Papa Francisco no documento de convocação, o objetivo do evento é “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.

Algumas semanas atrás, em entrevista ao jornal italiano La Stampa-Vatican Insider, o Santo Padre afirmou que o Sínodo será uma resposta à emergência ambiental planetária, mas é um evento da Igreja e terá uma dimensão evangelizadora. “Não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadoras. Será um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo”, disse o Papa.

 

Por que sobre a Amazônia?

Em 2018, durante um encontro com os povos indígenas em Porto Maldonado, no Peru, o Papa Francisco falou sobre a riqueza dos saberes e da diversidade indígena, sobre a necessidade de defender a Amazônia e seus povos e, também, sobre as ameaças que estes povos enfrentam em função dos interesses econômicos em seus territórios. Foi naquela ocasião que o Papa convocou oficialmente o Sínodo para a Amazônia.

Conforme o Documento Preparatório (12), “a Assembleia Especial para a Pan-Amazônia é chamada a encontrar novos caminhos para fazer crescer o rosto amazônico da Igreja e, também, para responder às situações de injustiça da região”.

 

Como foi a preparação do Sínodo?

A reunião sinodal acontece com base em um Documento de Trabalho (Instrumentum Laboris), que foi publicado e divulgado em 17 de junho. Esse documento é fruto de um processo de escuta que teve início com a visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado, no Peru. Depois, durante o ano de 2018, foi realizada uma consulta ao povo de Deus em toda a Região Amazônica, por meio de questionários e discussões/reflexões regionais. Por fim, em maio de 2019, foi realizada a segunda reunião do Conselho Pré-Sinodal, que condensou a consulta para produzir o Documento de Trabalho. Em resumo: os representantes da Igreja vão discutir aquilo que o povo de Deus na Amazônia apresentou como observações, desafios e propostas.

 

O que é a Pan-Amazônia?

Os documentos do Sínodo falam sobre a Pan-Amazônia, que é muito mais ampla do que a Amazônia brasileira. A Pan-Amazônia é uma região extensa, com cerca de 7,8 milhões de quilômetros quadrados, no coração da América do Sul. Ela é composta por nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A maior parte desta região (aproximadamente 5,3 milhões de km2) é de florestas, o que representa 40% das florestas tropicais do Planeta. A Amazônia abriga entre 10 e 15% da biodiversidade terrestre e é uma importante fonte de oxigênio para todo mundo. Conta com cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões dos quais são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos diversos.

Tudo isso deixa bem claro que o Sínodo não interfere na soberania brasileira nem dos outros países envolvidos. Trata-se sim de refletir sobre o cuidado com a Criação, como parte da missão da Igreja.

 

Assista ao vídeo - Dom Flávio Giovenale, bispo salesiano, da Diocese de Cruzeiro do Sul, aponta que o Sínodo refletirá sobre a amplitude territorial, a biodiversidade e a complexidade da chamada região Pan-Amazônica, formada por nove países. Clique AQUI e assista.

 

A Amazônia é só a floresta?

Além da preservação ambiental e do atendimento às populações indígenas, há várias outras temáticas relacionadas à região da Pan-Amazônia que serão discutidas ao longo do Sínodo. Está em pauta como assumir o “rosto dos povos da Amazônia”, que incluem indígenas, ribeirinhos (pescadores), pequenos agricultores, extrativistas e coletores (como os seringueiros), quilombolas e a população urbana, que tem crescido enormemente nos últimos anos.

 

Quem participa do Sínodo?

Além do Papa Francisco, participam de um Sínodo os bispos eleitos em suas respectivas conferências episcopais e os indicados pelo próprio Pontífice. De acordo com a lista divulgada pelo Vaticano em 23 de setembro, o Sínodo para a Amazônia terá mais de 250 participantes, entre os chamados “padres sinodais”, que participam diretamente das discussões, e os observadores e auditores. Estarão presentes bispos dos nove países que compõem a região Pan-Amazônica (sendo 58 dos quais bispos do Brasil), os chefes de Dicastérios da Cúria Romana, membros nomeados diretamente pelo Papa, padres eleitos pela União dos Superiores Gerais, membros do Conselho Pré-sinodal, especialistas, auditores e convidados especiais.

 

Onde buscar mais informações?

O Vaticano tem um site especial sobre o Sínodo. Clique AQUI e acompanhe

 

Assista ao vídeo - “O que é o Sínodo para a Amazônia”, vídeo preparado pela REPAM - Rede Eclesial Pan Amazônica. Clique AQUI para assistir

 

 

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Última modificação em Domingo, 06 Outubro 2019 15:53

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Por que a Igreja realiza um Sínodo para a Amazônia? Destaque

Domingo, 06 Outubro 2019 15:38 Escrito por  Com informações: REPAM (Rede Eclesial Pan Amazônica), ANS (Agência iNfo Salesiana), CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e Vatican News.
Por que a Igreja realiza um Sínodo para a Amazônia? Filipe Frazão/iStock.com
Nos dias 6 a 27 de outubro, realiza-se em Roma, na Itália, o Sínodo Especial dos Bispos para a Amazônia. Mas você sabe o que é um Sínodo? O que exatamente será discutido nesse evento? E por que o Papa Francisco convocou uma reunião episcopal para tratar sobre a Amazônia? Conheça mais sobre o Sínodo!  

O que é um Sínodo?

Um Sínodo é uma assembleia de bispos, convocada pelo Papa para discutir algo geral ou específico, e que ajuda o Sumo Pontífice a refletir sobre determinado tema e a tomar suas decisões. A “assembleia sinodal” foi instituída pelo Papa Paulo VI em 1965. Vale ressaltar que o Sínodo é um organismo consultivo, e não deliberativo. Ou seja: o Papa convoca a assembleia do Sínodo para ouvir a opinião dos bispos sobre um assunto ligado à vida e à missão da Igreja. Ao final da assembleia, os bispos entregam ao Papa um documento com algumas propostas. Mas é o Papa quem toma as decisões.

 

Qual é o tema deste Sínodo?

O tema de um Sínodo é escolhido pelo Papa e o deste Sínodo especial é “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Como explicou o Papa Francisco no documento de convocação, o objetivo do evento é “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.

Algumas semanas atrás, em entrevista ao jornal italiano La Stampa-Vatican Insider, o Santo Padre afirmou que o Sínodo será uma resposta à emergência ambiental planetária, mas é um evento da Igreja e terá uma dimensão evangelizadora. “Não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadoras. Será um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo”, disse o Papa.

 

Por que sobre a Amazônia?

Em 2018, durante um encontro com os povos indígenas em Porto Maldonado, no Peru, o Papa Francisco falou sobre a riqueza dos saberes e da diversidade indígena, sobre a necessidade de defender a Amazônia e seus povos e, também, sobre as ameaças que estes povos enfrentam em função dos interesses econômicos em seus territórios. Foi naquela ocasião que o Papa convocou oficialmente o Sínodo para a Amazônia.

Conforme o Documento Preparatório (12), “a Assembleia Especial para a Pan-Amazônia é chamada a encontrar novos caminhos para fazer crescer o rosto amazônico da Igreja e, também, para responder às situações de injustiça da região”.

 

Como foi a preparação do Sínodo?

A reunião sinodal acontece com base em um Documento de Trabalho (Instrumentum Laboris), que foi publicado e divulgado em 17 de junho. Esse documento é fruto de um processo de escuta que teve início com a visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado, no Peru. Depois, durante o ano de 2018, foi realizada uma consulta ao povo de Deus em toda a Região Amazônica, por meio de questionários e discussões/reflexões regionais. Por fim, em maio de 2019, foi realizada a segunda reunião do Conselho Pré-Sinodal, que condensou a consulta para produzir o Documento de Trabalho. Em resumo: os representantes da Igreja vão discutir aquilo que o povo de Deus na Amazônia apresentou como observações, desafios e propostas.

 

O que é a Pan-Amazônia?

Os documentos do Sínodo falam sobre a Pan-Amazônia, que é muito mais ampla do que a Amazônia brasileira. A Pan-Amazônia é uma região extensa, com cerca de 7,8 milhões de quilômetros quadrados, no coração da América do Sul. Ela é composta por nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A maior parte desta região (aproximadamente 5,3 milhões de km2) é de florestas, o que representa 40% das florestas tropicais do Planeta. A Amazônia abriga entre 10 e 15% da biodiversidade terrestre e é uma importante fonte de oxigênio para todo mundo. Conta com cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões dos quais são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos diversos.

Tudo isso deixa bem claro que o Sínodo não interfere na soberania brasileira nem dos outros países envolvidos. Trata-se sim de refletir sobre o cuidado com a Criação, como parte da missão da Igreja.

 

Assista ao vídeo - Dom Flávio Giovenale, bispo salesiano, da Diocese de Cruzeiro do Sul, aponta que o Sínodo refletirá sobre a amplitude territorial, a biodiversidade e a complexidade da chamada região Pan-Amazônica, formada por nove países. Clique AQUI e assista.

 

A Amazônia é só a floresta?

Além da preservação ambiental e do atendimento às populações indígenas, há várias outras temáticas relacionadas à região da Pan-Amazônia que serão discutidas ao longo do Sínodo. Está em pauta como assumir o “rosto dos povos da Amazônia”, que incluem indígenas, ribeirinhos (pescadores), pequenos agricultores, extrativistas e coletores (como os seringueiros), quilombolas e a população urbana, que tem crescido enormemente nos últimos anos.

 

Quem participa do Sínodo?

Além do Papa Francisco, participam de um Sínodo os bispos eleitos em suas respectivas conferências episcopais e os indicados pelo próprio Pontífice. De acordo com a lista divulgada pelo Vaticano em 23 de setembro, o Sínodo para a Amazônia terá mais de 250 participantes, entre os chamados “padres sinodais”, que participam diretamente das discussões, e os observadores e auditores. Estarão presentes bispos dos nove países que compõem a região Pan-Amazônica (sendo 58 dos quais bispos do Brasil), os chefes de Dicastérios da Cúria Romana, membros nomeados diretamente pelo Papa, padres eleitos pela União dos Superiores Gerais, membros do Conselho Pré-sinodal, especialistas, auditores e convidados especiais.

 

Onde buscar mais informações?

O Vaticano tem um site especial sobre o Sínodo. Clique AQUI e acompanhe

 

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