Empenho por uma ecologia integral Featured

Monday, 22 June 2020 22:41 Written by  Com informações: Vatican News e Agência Info Salesiana – ANS
Empenho por uma ecologia integral iStock.com
A Igreja deu início a um Ano Especial dedicado à encíclica “Laudato Si”. Escrita pelo Papa Francisco há cinco anos, a encíclica trata sobre o cuidado com o Planeta, nossa “Casa Comum”, e propõe o conceito de ecologia integral.     

Em 24 de maio, data em que a encíclica “Laudato Si” (“Louvado Seja”) completou cinco anos, teve início um Ano Especial, que será dedicado a aprofundar o tema da ecologia integral. Promovido pela Igreja Católica por meio do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, este Ano Especial prevê uma série de encontros, eventos e iniciativas conjuntas “realizadas com ênfase clara em uma ‘conversão ecológica ativa’. Todos estão convidados a participar na celebração deste aniversário. A urgência da situação requer respostas imediatas, holísticas e unificadas em todos os níveis: local, regional, nacional e internacional”, ressalta o Dicastério.

 

A convocatória para o Ano Especial afirma que os ensinamentos da encíclica “Laudato Si” são particularmente relevantes no contexto atual da pandemia de coronavírus. “O fato de que o quinto aniversário da encíclica coincida com um momento crítico, o de uma pandemia mundial, faz com que a mensagem profética da Laudato Si seja ainda mais significativa. A encíclica constitui um guia moral e espiritual para a criação de um novo paradigma de um mundo mais solidário, fraterno e sustentável”. A crise é uma oportunidade para transformar a destruição que nos rodeia em uma nova forma de viver: “unidos pelo amor, pela compaixão, pela solidariedade e em uma relação mais harmoniosa com a natureza, nossa casa comum”.

 

O anúncio do Ano Especial foi feito durante a “Semana Laudato Si”, realizada pelo Vaticano com o tema “Tudo está conectado”. “Que tipo de mundo queremos deixar para aqueles que vêm depois de nós, para as crianças que estão crescendo?”, questionou o Papa Francisco ao convocar a Semana e renovar seu “apelo urgente a fim de responder à crise ecológica, ao grito da terra e ao grito dos pobres que não podem mais esperar. Cuidemos da criação, presente do nosso bom Deus criador”.

 

A “Laudato Si”

A “Laudato Si” é um marco do pontificado do Papa Francisco e da preocupação da Igreja com a questão ecológica. Tendo como título a invocação de São Francisco de Assis no “Cântico das criaturas”, a encíclica reúne e aprofunda as reflexões das Conferências Episcopais do mundo sobre a temática do cuidado com o Planeta Terra, nossa “Casa Comum”, e apresenta o conceito de ecologia integral.

 

“Nada deste mundo nos é indiferente”, afirma o Papa Francisco logo na introdução da encíclica. O Pontífice afirma que a Terra “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8, 22)”.

 

Ao longo do documento, Francisco mostra como a preocupação com a natureza, a defesa da vida e a justiça social são elementos interligados. Faz também uma dura crítica ao modelo econômico atual e aponta a necessidade de buscarmos uma nova forma de entender o progresso e o consumo.

 

Degradação ambiental, humana e social

A encíclica inicia com uma profunda análise do que está acontecendo em nossa “casa comum”, apontando problemas relacionados a: poluição e mudanças climáticas, questão da água, perda da biodiversidade, deterioração da qualidade de vida humana e degradação social, desigualdade e uma reação ainda fraca e pouco efetiva diante de tantas situações de crise. “O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social”, considera Francisco.

 

Em seguida, o documento trata sobre “O Evangelho da criação”, refletindo sobre o tema a partir da tradição judaico-cristã e reforçando o compromisso com o meio ambiente que é orientado desde as narrações bíblicas. Ao abordar “A raiz humana da crise ecológica”, o Papa aponta as causas mais profundas para a situação atual, para logo após explicar o conceito de “ecologia integral”, que inclui as dimensões humanas e sociais.

 

Ecologia integral

Assim, a “Laudato Si” esclarece os vários aspectos da ecologia ambiental, econômica e social, da ecologia cultural, da ecologia da vida cotidiana (abordando a qualidade de vida) e da ecologia como princípio do bem comum e legado às próximas gerações. À luz desta reflexão, o Papa Francisco prossegue apontando “algumas das grandes linhas de diálogo e de ação que envolvem seja cada um de nós, seja a política internacional”, capítulo no qual faz um apelo para que se busque um novo modelo de progresso, que não esteja vinculado ao lucro financeiro. “Trata-se simplesmente de redefinir o progresso. Um desenvolvimento tecnológico e econômico que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso”, afirma.

 

Considerando que toda mudança tem a necessidade de um caminho educativo, no capítulo “Educação e espiritualidade ecológicas”, Francisco fala sobre o desenvolvimento de um novo estilo de vida, a educação para “a aliança entre a humanidade e o meio ambiente” e chama à conversão ecológica, apontando aos cristãos “algumas linhas de espiritualidade ecológica que nascem das convicções da nossa fé, pois aquilo que o Evangelho nos ensina tem consequências no nosso modo de pensar, sentir e viver”.

 

Por fim, o Papa retoma os ensinamentos de São Francisco de Assis, e conclui a encíclica com um chamado: “Deus, que nos chama a uma generosa entrega e a oferecer-Lhe tudo, também nos dá as forças e a luz de que necessitamos para prosseguir. No coração deste mundo, permanece presente o Senhor da vida que tanto nos ama. Não nos abandona, não nos deixa sozinhos, porque Se uniu definitivamente à nossa terra e o seu amor sempre nos leva a encontrar novos caminhos. Que Ele seja louvado!”.

 

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A Igreja deu início a um Ano Especial dedicado à encíclica “Laudato Si”. Escrita pelo Papa Francisco há cinco anos, a encíclica trata sobre o cuidado com o Planeta, nossa “Casa Comum”, e propõe o conceito de ecologia integral.     

Em 24 de maio, data em que a encíclica “Laudato Si” (“Louvado Seja”) completou cinco anos, teve início um Ano Especial, que será dedicado a aprofundar o tema da ecologia integral. Promovido pela Igreja Católica por meio do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, este Ano Especial prevê uma série de encontros, eventos e iniciativas conjuntas “realizadas com ênfase clara em uma ‘conversão ecológica ativa’. Todos estão convidados a participar na celebração deste aniversário. A urgência da situação requer respostas imediatas, holísticas e unificadas em todos os níveis: local, regional, nacional e internacional”, ressalta o Dicastério.

 

A convocatória para o Ano Especial afirma que os ensinamentos da encíclica “Laudato Si” são particularmente relevantes no contexto atual da pandemia de coronavírus. “O fato de que o quinto aniversário da encíclica coincida com um momento crítico, o de uma pandemia mundial, faz com que a mensagem profética da Laudato Si seja ainda mais significativa. A encíclica constitui um guia moral e espiritual para a criação de um novo paradigma de um mundo mais solidário, fraterno e sustentável”. A crise é uma oportunidade para transformar a destruição que nos rodeia em uma nova forma de viver: “unidos pelo amor, pela compaixão, pela solidariedade e em uma relação mais harmoniosa com a natureza, nossa casa comum”.

 

O anúncio do Ano Especial foi feito durante a “Semana Laudato Si”, realizada pelo Vaticano com o tema “Tudo está conectado”. “Que tipo de mundo queremos deixar para aqueles que vêm depois de nós, para as crianças que estão crescendo?”, questionou o Papa Francisco ao convocar a Semana e renovar seu “apelo urgente a fim de responder à crise ecológica, ao grito da terra e ao grito dos pobres que não podem mais esperar. Cuidemos da criação, presente do nosso bom Deus criador”.

 

A “Laudato Si”

A “Laudato Si” é um marco do pontificado do Papa Francisco e da preocupação da Igreja com a questão ecológica. Tendo como título a invocação de São Francisco de Assis no “Cântico das criaturas”, a encíclica reúne e aprofunda as reflexões das Conferências Episcopais do mundo sobre a temática do cuidado com o Planeta Terra, nossa “Casa Comum”, e apresenta o conceito de ecologia integral.

 

“Nada deste mundo nos é indiferente”, afirma o Papa Francisco logo na introdução da encíclica. O Pontífice afirma que a Terra “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8, 22)”.

 

Ao longo do documento, Francisco mostra como a preocupação com a natureza, a defesa da vida e a justiça social são elementos interligados. Faz também uma dura crítica ao modelo econômico atual e aponta a necessidade de buscarmos uma nova forma de entender o progresso e o consumo.

 

Degradação ambiental, humana e social

A encíclica inicia com uma profunda análise do que está acontecendo em nossa “casa comum”, apontando problemas relacionados a: poluição e mudanças climáticas, questão da água, perda da biodiversidade, deterioração da qualidade de vida humana e degradação social, desigualdade e uma reação ainda fraca e pouco efetiva diante de tantas situações de crise. “O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social”, considera Francisco.

 

Em seguida, o documento trata sobre “O Evangelho da criação”, refletindo sobre o tema a partir da tradição judaico-cristã e reforçando o compromisso com o meio ambiente que é orientado desde as narrações bíblicas. Ao abordar “A raiz humana da crise ecológica”, o Papa aponta as causas mais profundas para a situação atual, para logo após explicar o conceito de “ecologia integral”, que inclui as dimensões humanas e sociais.

 

Ecologia integral

Assim, a “Laudato Si” esclarece os vários aspectos da ecologia ambiental, econômica e social, da ecologia cultural, da ecologia da vida cotidiana (abordando a qualidade de vida) e da ecologia como princípio do bem comum e legado às próximas gerações. À luz desta reflexão, o Papa Francisco prossegue apontando “algumas das grandes linhas de diálogo e de ação que envolvem seja cada um de nós, seja a política internacional”, capítulo no qual faz um apelo para que se busque um novo modelo de progresso, que não esteja vinculado ao lucro financeiro. “Trata-se simplesmente de redefinir o progresso. Um desenvolvimento tecnológico e econômico que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso”, afirma.

 

Considerando que toda mudança tem a necessidade de um caminho educativo, no capítulo “Educação e espiritualidade ecológicas”, Francisco fala sobre o desenvolvimento de um novo estilo de vida, a educação para “a aliança entre a humanidade e o meio ambiente” e chama à conversão ecológica, apontando aos cristãos “algumas linhas de espiritualidade ecológica que nascem das convicções da nossa fé, pois aquilo que o Evangelho nos ensina tem consequências no nosso modo de pensar, sentir e viver”.

 

Por fim, o Papa retoma os ensinamentos de São Francisco de Assis, e conclui a encíclica com um chamado: “Deus, que nos chama a uma generosa entrega e a oferecer-Lhe tudo, também nos dá as forças e a luz de que necessitamos para prosseguir. No coração deste mundo, permanece presente o Senhor da vida que tanto nos ama. Não nos abandona, não nos deixa sozinhos, porque Se uniu definitivamente à nossa terra e o seu amor sempre nos leva a encontrar novos caminhos. Que Ele seja louvado!”.

 

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