Neste ano, somos chamados a voltar os olhos para a Carta de São Paulo aos Romanos, verdadeiro hino à esperança que nasce da fé em Cristo. Ali, o apóstolo afirma: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).
Em um mundo atravessado por crises, violências e polarizações, a Palavra nos lembra que a esperança cristã não é ingênua nem alienante. Ela brota da certeza de que Deus já realizou em Cristo a vitória sobre o pecado e a morte. Essa esperança não se reduz a uma espera passiva, mas impulsiona os cristãos a viverem como testemunhas, transformando a realidade pelo amor gratuito, pelo perdão e pela fé viva. Prova disso são os atuais exemplos de santidade que são apresentados para nós neste Boletim Salesiano: Ir. Troncatti, os jovens Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis.
O Pe. Fabio Attard, recorda-nos que ser discípulo de Jesus significa assumir a lógica do “Eu, porém, vos digo”. Enquanto a cultura dominante insiste na vingança, na competição e na busca de vantagens, o Evangelho abre outro caminho: o da gratuidade e do perdão. Ser profetas do perdão é ter a coragem de romper o ciclo do ódio e da violência; ser profetas da gratuidade é responder às necessidades do irmão sem esperar recompensas.
Aqui vemos um ponto luminoso de encontro com a espiritualidade salesiana. Dom Bosco foi, antes de tudo, um educador da esperança. Para ele, bastava que um jovem soubesse ser amado para que sua vida se transformasse. O Sistema Preventivo, com seus pilares — razão, religião e amorevolezza — é um modo concreto de encarnar hoje a esperança cristã: razão que educa para escolhas responsáveis, fé que aponta horizontes maiores e amor que se faz proximidade cotidiana.
Paulo escreve aos Romanos em meio a tensões e incertezas. Dom Bosco educava jovens marcados pela pobreza e pelo abandono. Nós vivemos tempos de guerra, exclusão e esvaziamento de valores. O cenário muda, mas a missão permanece: acender lâmpadas de esperança na escuridão. Isso só será possível se, iluminados pela Palavra, formos comunidades proféticas de perdão e de gratuidade, onde os jovens encontrem exemplos de humanidade realizada.
Celebrar o mês da Bíblia, portanto, é renovar nossa vocação de educadores da fé e da esperança. Que a Família Salesiana, cada comunidade salesiana, cada grupo juvenil, cada educador e catequista se reconheça chamado a ser profeta da esperança, vivendo a Palavra como força transformadora. Afinal, como recordava Dom Bosco: “Basta que sejais jovens para que eu vos ame”. Eis a lógica do Evangelho vivido no cotidiano: amor gratuito que gera esperança.