Relato do padre Natale Vitali: os Ianomami: um povo altivo, guerreiro, de muita memória

Tuesday, 10 September 2013 14:35 Written by  InfoANS
Relato do padre Natale Vitali: os Ianomami: um povo altivo, guerreiro, de muita memória InfoANS
O conselheiro regional para a América Cone Sul, padre Natale Vitali, durante a sua visita extraordinária à Inspetoria de Manaus visitou também os salesianos que trabalham nas presenças missionárias na Amazônia. Leia  o relato dele sobre essa experiência:
 
" Deixamos Santa Isabel às 5h30  do dia 2 de setembro. A barca que nos levaria à Missão Salesiana Sagrada Família de Marauiá, tem perto de 10 metros de comprimento por  1,10m de largura. Leva dois motores. Sempre dois. Porque se um falha, haverá o outro… De fato, ao sair, um não pega (como sempre, nestes casos). Todos me olham com ares que me dizem: “Não podemos partir”. Mas eu lhes digo: “Vamos com um, que a  Providência nos acompanhe!”. Só mais tarde dei-me conta da minha imprudência...
 
 
Depois de cinco horas chegamos à primeira comunidade, construída de forma típica – “xapono” – servida pelos Salesianos: Piranha. Ali vivem perto de 200 ianomâmi. Todos os alunos estavam na praia esperando para saudar “o Superior de Roma”. Cheguei à escola dando a mão a cerca de 50 ianomâmi que lutavam entre si para poder-ma apertar.
 
 
A escola era uma cabana limpa, com bancos de madeira. Fizeram discursos, declamaram poesias e agradeceram pelo trabalho que lhes prestam os salesianos. Há três professores ianomâmi, isto é, três rapazes, que estão concluindo a escola superior: escutava-os... mas por dentro eu chorava.
 
 
Os Ianomâmi eram um povo muito temido pela sua belicosidade: temidos pelos brancos, pelos “caboclos” e pelos mesmos indígenas. Só os salesianos têm trabalhado com eles e ainda o estão fazendo.
 
 
A seguir chegamos ao "xapono": trata-se de um círculo... no qual se dispõem todas as cabanas. Cada um tem a sua casa de palha. Há na casa só as redes para dormir e o fogo ao centro (mesmo que faça 40°). São um povo caçador e coletam quanto oferece espontaneamente a natureza. Não trabalham.
 
 
São um povo feliz e atualmente também acolhedor. Dispõem de uma memória prodigiosa: sobretudo não esquecem quanto se lhes promete: lho lembrarão também depois de 20... anos. Por isso advertiram-me: ‘Não prometa nada: ficará endividado para sempre!
 
 
Nós, salesianos, mesmo depois de 50 anos de convivência, ainda não iniciamos o tempo da evangelização explicita: espera-se poder começar no próximo ano".
 
 
InfoANS
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Last modified on Wednesday, 18 September 2013 13:41

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Tuesday, 10 September 2013 14:35 Written by  InfoANS
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O conselheiro regional para a América Cone Sul, padre Natale Vitali, durante a sua visita extraordinária à Inspetoria de Manaus visitou também os salesianos que trabalham nas presenças missionárias na Amazônia. Leia  o relato dele sobre essa experiência:
 
" Deixamos Santa Isabel às 5h30  do dia 2 de setembro. A barca que nos levaria à Missão Salesiana Sagrada Família de Marauiá, tem perto de 10 metros de comprimento por  1,10m de largura. Leva dois motores. Sempre dois. Porque se um falha, haverá o outro… De fato, ao sair, um não pega (como sempre, nestes casos). Todos me olham com ares que me dizem: “Não podemos partir”. Mas eu lhes digo: “Vamos com um, que a  Providência nos acompanhe!”. Só mais tarde dei-me conta da minha imprudência...
 
 
Depois de cinco horas chegamos à primeira comunidade, construída de forma típica – “xapono” – servida pelos Salesianos: Piranha. Ali vivem perto de 200 ianomâmi. Todos os alunos estavam na praia esperando para saudar “o Superior de Roma”. Cheguei à escola dando a mão a cerca de 50 ianomâmi que lutavam entre si para poder-ma apertar.
 
 
A escola era uma cabana limpa, com bancos de madeira. Fizeram discursos, declamaram poesias e agradeceram pelo trabalho que lhes prestam os salesianos. Há três professores ianomâmi, isto é, três rapazes, que estão concluindo a escola superior: escutava-os... mas por dentro eu chorava.
 
 
Os Ianomâmi eram um povo muito temido pela sua belicosidade: temidos pelos brancos, pelos “caboclos” e pelos mesmos indígenas. Só os salesianos têm trabalhado com eles e ainda o estão fazendo.
 
 
A seguir chegamos ao "xapono": trata-se de um círculo... no qual se dispõem todas as cabanas. Cada um tem a sua casa de palha. Há na casa só as redes para dormir e o fogo ao centro (mesmo que faça 40°). São um povo caçador e coletam quanto oferece espontaneamente a natureza. Não trabalham.
 
 
São um povo feliz e atualmente também acolhedor. Dispõem de uma memória prodigiosa: sobretudo não esquecem quanto se lhes promete: lho lembrarão também depois de 20... anos. Por isso advertiram-me: ‘Não prometa nada: ficará endividado para sempre!
 
 
Nós, salesianos, mesmo depois de 50 anos de convivência, ainda não iniciamos o tempo da evangelização explicita: espera-se poder começar no próximo ano".
 
 
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