Filhas de Maria Auxiliadora: uma história de muitos encontros

Terça, 24 Abril 2012 01:27 Escrito por  Ir. Silvânia Cássia Pereira
O Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) completa, em 2012, seus 140 anos de existência e 120 anos de presença educativa e evangelizadora no Brasil.  

 

Quem conhece a grande história de Dom Bosco sabe que ele era homem de grandes sonhos. A novidade em Dom Bosco era o seu jeito de educar e de envolver seus colaboradores. No sonho dos nove anos estavam presentes os meninos, e na experiência do trabalho com os meninos foi interpelado pela obra divina sobre as meninas. O sonhador era da juventude: meninos e meninas. Então sonhou com um projeto que também respondesse às jovens o mesmo que sonhara para os meninos.

Dom Pestarino intuiu que aquela experiência que ele vivenciava em Mornese, com o grupo das Filhas da Imaculada, podia dar certo com a orientação de Dom Bosco. Assim, a convite de padre Pestarino, Dom Bosco foi a Mornese com seus meninos, um encontro que reuniu o povo na praça. A população daquele vilarejo encantou-se com as palavras de Dom Bosco e a alegria dos seus meninos. Entre o povo que vibrava com aquele encontro, lá estava a jovem Maria Domingas Mazzarello, que não tirava os olhos daquele homem, um olhar que já pressentiu a sua santidade: “Dom Bosco é um santo, eu o sinto”.

 Em 1872, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora foi fundado e o desejo de Dom Bosco foi de que o grupo de consagradas fosse um monumento vivo de gratidão à Virgem Auxiliadora, por todo bem que ela realizara em sua obra. “Por um dom do Espirito Santo e com a intervenção direta de Maria, São João Bosco fundou o nosso Instituto como resposta de salvação às profundas aspirações das jovens. Transmitiu-lhe um patrimônio espiritual inspirado na caridade de Cristo Bom Pastor e imprimiu-lhe um forte impulso missionário.”No próximo mês de agosto, o Instituto comemora 140 anos de fundação: uma história de mulheres de tradição simples, pobres; encantadas com o Deus da vida, que deu a elas a

missão junto à juventude. Mulheres que se consagraram e que se consagram com o mesmo entusiasmo do “da mihi animas e coetera tolle” (dai-me almas e ficai com o resto).

 

Missionárias no Brasil

E foi com este ardor que o ramo feminino da Família Salesiana veio para a América, e do Uruguai para o Brasil. Esta parte da história começa com o sonho de outro homem que também admirava a obra de Dom Bosco e a sua missão: monsenhor João Filippo, que pediu a presença das FMA no Brasil, em Guaratinguetá, SP.

 A primeira crônica da comunidade do Carmo, escrita em 1892, relata a seguinte história: “No ano do Senhor Jesus Cristo de 1891 [...], o reverendíssimo Pe. João Filippo, oriundo da cidade de Cosenza, Itália e residente na cidade de Guaratinguetá, há uns vinte anos, ofereceu à Congregação Salesiana um vasto e belo edifício situado sobre a pitoresca colina de São Gonçalo, próximo à cidade, com o fim de ser aberta uma casa de educação para as meninas.

O Reitor Maior da Congregação Salesiana, o Reverendíssimo Pe. Miguel Rua, e a Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, a Reverenda Madre Catharina Daghero, representados; o primeiro Inspetor das casas Salesianas do Uruguai e Brasil, o Reverendíssimo Pe. Luiz Lasagna e a segunda, a Visitadora das casas da Filhas de Maria Auxiliadora do Uruguai, a reverenda Madre Emília Borgna, aceitaram a oferta, bem como a de uma casa em Lorena e outra em Pindamonhangaba para idêntico fim”.

 No dia 5 de março de 1892, partiram de Montevidéu,
capital do Uruguai, 12 irmãs Filhas de Maria Auxiliadora com o fim de abrir as ditas três casas. Foi nomeada superiora representante da Visitadora a madre Thereza Rinaldi. Vieram em sua companhia as irmãs: Florinda Bittencourt, Helena Ospital, Paula Zuccarino, Joana Narizano, Dolores Machim, Anna Couto, Dilecta Maldarin, Justina Gros, Francisca Garcia e as Noviças Matilde Bouvier e Maria Luiza Schillino. Em Guaratinguetá, o grupo chegou no dia 16 de março.

As irmãs foram recebidas na estação de trem central pelo padre João Filippo, outros sacerdotes da cidade, autoridades civis, muitas famílias e até uma banda musical. Participaram de uma celebração eucarística na Igreja Matriz de Santo Antonio e depois fizeram sua entrada no Colégio Nossa Senhora do Carmo.

Em pouco tempo, o ramo feminino foi logo se espalhando de norte a sul. Hoje somos nove inspetorias com trabalhos diversificados: obras sociais, escolas, faculdades, inserção junto ao povo, missão indígena...

 Aos 120 anos de presença no Brasil, fomos traçando caminhos e escrevendo his-tórias: das mais diversas, de rostos diferentes, de cores variadas, de acordo com as variadas frentes de trabalho das irmãs salesianas. E, sob a proteção da Virgem Auxiliadora, somos desafiadas a viver o rosto feminino de Deus junto à juventude do Brasil, assumindo os nossos barcos, jogando as nossas redes, confiando que a novidade de cada rede lançada possa tornar o carisma herdado de Dom Bosco e Madre Mazzarello um alimento que sacie o nosso campo educativo.

 

Irmã Silvânia Cássia Pereira, FMA, reside no Colégio do Carmo, em Guaratinguetá, SP, e é membro do Conselho Editorial do Boletim Salesiano.

Monsenhor João Filippo

Monsenhor João Filippo (1845 -1928) nasceu na província de Cosenza, no sul da Itália, em 1845, e se tornou sacerdote aos 27 anos. Logo veio para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro, em 1873, com destino a Guaratinguetá. Solicitou a Dom Bosco que enviasse algumas irmãs Filhas de Maria Auxiliadora para cuidar da educação das jovens da região. Seu pedido foi atendido no governo do primeiro sucessor de Dom Bosco, Dom Miguel Rua. Em 20 de abril de 1892, foi inaugurado o Colégio do Carmo, fruto do trabalho e dedicação de monsenhor João Filippo.

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Última modificação em Sexta, 29 Agosto 2014 11:55

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Filhas de Maria Auxiliadora: uma história de muitos encontros

Terça, 24 Abril 2012 01:27 Escrito por  Ir. Silvânia Cássia Pereira
O Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) completa, em 2012, seus 140 anos de existência e 120 anos de presença educativa e evangelizadora no Brasil.  

 

Quem conhece a grande história de Dom Bosco sabe que ele era homem de grandes sonhos. A novidade em Dom Bosco era o seu jeito de educar e de envolver seus colaboradores. No sonho dos nove anos estavam presentes os meninos, e na experiência do trabalho com os meninos foi interpelado pela obra divina sobre as meninas. O sonhador era da juventude: meninos e meninas. Então sonhou com um projeto que também respondesse às jovens o mesmo que sonhara para os meninos.

Dom Pestarino intuiu que aquela experiência que ele vivenciava em Mornese, com o grupo das Filhas da Imaculada, podia dar certo com a orientação de Dom Bosco. Assim, a convite de padre Pestarino, Dom Bosco foi a Mornese com seus meninos, um encontro que reuniu o povo na praça. A população daquele vilarejo encantou-se com as palavras de Dom Bosco e a alegria dos seus meninos. Entre o povo que vibrava com aquele encontro, lá estava a jovem Maria Domingas Mazzarello, que não tirava os olhos daquele homem, um olhar que já pressentiu a sua santidade: “Dom Bosco é um santo, eu o sinto”.

 Em 1872, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora foi fundado e o desejo de Dom Bosco foi de que o grupo de consagradas fosse um monumento vivo de gratidão à Virgem Auxiliadora, por todo bem que ela realizara em sua obra. “Por um dom do Espirito Santo e com a intervenção direta de Maria, São João Bosco fundou o nosso Instituto como resposta de salvação às profundas aspirações das jovens. Transmitiu-lhe um patrimônio espiritual inspirado na caridade de Cristo Bom Pastor e imprimiu-lhe um forte impulso missionário.”No próximo mês de agosto, o Instituto comemora 140 anos de fundação: uma história de mulheres de tradição simples, pobres; encantadas com o Deus da vida, que deu a elas a

missão junto à juventude. Mulheres que se consagraram e que se consagram com o mesmo entusiasmo do “da mihi animas e coetera tolle” (dai-me almas e ficai com o resto).

 

Missionárias no Brasil

E foi com este ardor que o ramo feminino da Família Salesiana veio para a América, e do Uruguai para o Brasil. Esta parte da história começa com o sonho de outro homem que também admirava a obra de Dom Bosco e a sua missão: monsenhor João Filippo, que pediu a presença das FMA no Brasil, em Guaratinguetá, SP.

 A primeira crônica da comunidade do Carmo, escrita em 1892, relata a seguinte história: “No ano do Senhor Jesus Cristo de 1891 [...], o reverendíssimo Pe. João Filippo, oriundo da cidade de Cosenza, Itália e residente na cidade de Guaratinguetá, há uns vinte anos, ofereceu à Congregação Salesiana um vasto e belo edifício situado sobre a pitoresca colina de São Gonçalo, próximo à cidade, com o fim de ser aberta uma casa de educação para as meninas.

O Reitor Maior da Congregação Salesiana, o Reverendíssimo Pe. Miguel Rua, e a Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, a Reverenda Madre Catharina Daghero, representados; o primeiro Inspetor das casas Salesianas do Uruguai e Brasil, o Reverendíssimo Pe. Luiz Lasagna e a segunda, a Visitadora das casas da Filhas de Maria Auxiliadora do Uruguai, a reverenda Madre Emília Borgna, aceitaram a oferta, bem como a de uma casa em Lorena e outra em Pindamonhangaba para idêntico fim”.

 No dia 5 de março de 1892, partiram de Montevidéu,
capital do Uruguai, 12 irmãs Filhas de Maria Auxiliadora com o fim de abrir as ditas três casas. Foi nomeada superiora representante da Visitadora a madre Thereza Rinaldi. Vieram em sua companhia as irmãs: Florinda Bittencourt, Helena Ospital, Paula Zuccarino, Joana Narizano, Dolores Machim, Anna Couto, Dilecta Maldarin, Justina Gros, Francisca Garcia e as Noviças Matilde Bouvier e Maria Luiza Schillino. Em Guaratinguetá, o grupo chegou no dia 16 de março.

As irmãs foram recebidas na estação de trem central pelo padre João Filippo, outros sacerdotes da cidade, autoridades civis, muitas famílias e até uma banda musical. Participaram de uma celebração eucarística na Igreja Matriz de Santo Antonio e depois fizeram sua entrada no Colégio Nossa Senhora do Carmo.

Em pouco tempo, o ramo feminino foi logo se espalhando de norte a sul. Hoje somos nove inspetorias com trabalhos diversificados: obras sociais, escolas, faculdades, inserção junto ao povo, missão indígena...

 Aos 120 anos de presença no Brasil, fomos traçando caminhos e escrevendo his-tórias: das mais diversas, de rostos diferentes, de cores variadas, de acordo com as variadas frentes de trabalho das irmãs salesianas. E, sob a proteção da Virgem Auxiliadora, somos desafiadas a viver o rosto feminino de Deus junto à juventude do Brasil, assumindo os nossos barcos, jogando as nossas redes, confiando que a novidade de cada rede lançada possa tornar o carisma herdado de Dom Bosco e Madre Mazzarello um alimento que sacie o nosso campo educativo.

 

Irmã Silvânia Cássia Pereira, FMA, reside no Colégio do Carmo, em Guaratinguetá, SP, e é membro do Conselho Editorial do Boletim Salesiano.

Monsenhor João Filippo

Monsenhor João Filippo (1845 -1928) nasceu na província de Cosenza, no sul da Itália, em 1845, e se tornou sacerdote aos 27 anos. Logo veio para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro, em 1873, com destino a Guaratinguetá. Solicitou a Dom Bosco que enviasse algumas irmãs Filhas de Maria Auxiliadora para cuidar da educação das jovens da região. Seu pedido foi atendido no governo do primeiro sucessor de Dom Bosco, Dom Miguel Rua. Em 20 de abril de 1892, foi inaugurado o Colégio do Carmo, fruto do trabalho e dedicação de monsenhor João Filippo.

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