Diferente das 26 edições anteriores, o percurso não seguiu inteiro pelas ruas como de costume. A tradição precisou se adaptar: a comunidade se reuniu no Pátio de São Pedro, onde antes do início foram dados vários giros rezando o terço. Em seguida, ocorreu ali mesmo a reflexão da 1ª estação.
Depois, em passadas lentas e firmes, com oração e canto, os fiéis seguiram em direção à Basílica da Penha. Foi dentro dela que a Via-Sacra ganhou um tom mais recolhido: as 13 estações restantes foram rezadas e meditadas no interior do templo, como se o caminho externo se transformasse em caminho interior.
Durante as reflexões, o padre João Carlos aproximou cada estação das dores concretas do nosso tempo, trazendo à tona a dura realidade dos feminicídios, as guerras, o endividamento das famílias, além de intenções pelos doentes e enfermos.
Houve ainda a oração pelos associados da Associação Missionária Amanhecer (AMA) e também pela missão do arcebispo, como serviço de cuidado e condução do povo de Deus.
No coração da celebração, a cruz de cerca de 100 kg foi carregada pelo próprio povo — viúvas, jovens, aposentados, sócios da AMA, entre tantos outros — sinal visível de que a Paixão de Cristo continua sendo recordada quando a cidade inteira decide, juntos, sustentar a esperança.
Mensagem do pastor
Pouco depois das 11h, teve início a santa missa presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson. A celebração foi transmitida pelo canal YouTube do padre João Carlos e pela Rádio Online Amanhecer (a rádio oficial da AMA).
Na homilia, Dom Paulo Jackson refletiu sobre as 30 moedas pagas por Jesus — preço de escravo — destacando que Cristo assumiu essa condição para nos libertar do pecado e da morte.
O arcebispo convidou os fiéis a reconhecerem “as traições diárias ao Evangelho, quando deixamos de amar e servir ao próximo”. Dom Paulo lembrou ainda que “gente simples, com pequenas ações em lugares comuns, pode gerar mudanças gigantescas”. Por fim, clamou por solidariedade à luz da Campanha da Fraternidade sobre moradia, defendendo o direito à habitação digna para todos, sobretudo os mais vulneráveis.
Por: Wilson Firmo
Inspetoria Salesiana do Nordeste