No dia 14 de agosto, foi realizada uma formação com as obras sociais da Inspetoria Madre Mazzarello (IMM) sobre a Lei da Escuta Especializada.
O momento contou com a presença das equipes gestoras das 15 obras sociais da IMM, incluindo educadores, integrantes do setor administrativo, além da equipe inspetorial: irmã Áurea Martins, João Vasconcelos e Warleni Vitória.
O encontro teve início com uma oração e a exposição de diversas situações de sofrimento vivenciadas na realidade, como fenômenos naturais relacionados ao El Niño, terremotos e tornados, bem como situações de feminicídio, agressões contra crianças, violências, intolerâncias, entre outras.
Também foram ressaltadas realidades que geram esperança, como a solidariedade diante do sofrimento do próximo, a presença e a missão assumidas pelas obras sociais nos territórios, as famílias que testemunham o amor e a vivência do carisma salesiano, entre outras.
A coordenadora Inspetorial de Ação Social, irmã Dircione Amorim, conduziu o tema Escuta Especializada, promovendo a participação efetiva dos presentes. A abordagem fundamentou-se na Lei nº 13.431/2017 (Lei da Escuta Protegida), que estabelece diretrizes para o sistema de garantia de direitos de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, bem como mecanismos de prevenção e enfrentamento das violências, em consonância com o art. 227 da Constituição Federal.
Diferentes formas de violência
No decorrer da apresentação, foram abordadas e conceituadas diferentes formas de violência: a violência institucional, a negligência, a violência psicológica, a violência física, a violência sexual e a violência no ambiente digital.
À medida que as diferentes formas de violência eram apresentadas, os participantes das obras compartilharam, de forma ética e sem identificação dos envolvidos, exemplos de situações vivenciadas em seus contextos de atuação.
Os relatos evidenciaram que essas violações estão presentes na realidade dos atendidos e demandam dos profissionais atenção, sensibilidade, postura protetiva e intervenção adequada.
Ao final do encontro, os participantes destacaram a relevância da formação e compartilharam diferentes realidades quanto à articulação da rede de proteção nos municípios. Enquanto alguns apresentam avanços na implementação da Lei nº 13.431/2017, em outros ainda há necessidade de maior conhecimento e efetivação de suas diretrizes.
O papel dos atores sociais
Durante o encontro, ressaltou-se o papel dos atores sociais no fortalecimento e na implementação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente Vítima ou Testemunha de Violência, especialmente por meio da comunicação aos órgãos competentes, como o Conselho Tutelar, diante de situações de suspeita ou confirmação de violência identificadas nas obras.
Também foi enfatizada a importância do acolhimento adequado diante da revelação espontânea, evitando questionamentos desnecessários, exposição ou revitimização da criança ou do adolescente que teve seus direitos violados.