Ex-educando salesiano é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 Destaque

Sexta, 24 Julho 2026 11:19 Escrito por  Com informações de autores associados
Ex-educando salesiano é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 Acervo pessoal
Pesquisador de pós-doutorado da FAPESP na Unicamp, Julio Cesar Francisco atribui parte de sua trajetória acadêmica à formação recebida na Obra Social Salesiana de São Carlos, SP, destacando o papel da educação na construção de oportunidades e na promoção da dignidade humana.


A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou os semifinalistas da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, uma das mais importantes distinções da produção científica e editorial brasileira. Criada em 2024, a premiação reconhece obras de excelência nas áreas científicas, técnicas e profissionais.

Entre os dez semifinalistas da categoria Educação e Ensino está o ex-educando da Obra Social Salesiana de São Carlos, Julio Cesar Francisco, pedagogo e doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – Processo nº 2022/00610-2), e coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Democratização Escolar (GRDS – Brasil).


Origem do livro

 

A pesquisa que deu origem ao livro foi desenvolvida durante o pós-doutorado, sob a supervisão do professor Dermeval Saviani, e contou com financiamento da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Publicada pela Editora Autores Associados, a obra Pedagogia Socialista: contribuições para a formação de jovens infratores resulta de uma ampla investigação sobre os processos educativos dirigidos a adolescentes em conflito com a lei.

Fundamentado na Filosofia, na História e na Sociologia da Educação, o estudo analisa experiências brasileiras e internacionais e defende uma política educacional orientada pela Pedagogia Histórico-Crítica, reafirmando a necessidade de assegurar uma instrução de elevada ambição intelectual para todos os estudantes, inclusive aqueles oriundos das classes populares e em situação de conflito com a lei, frequentemente privados de oportunidades educacionais de qualidade.

A indicação coloca a obra entre as dez semifinalistas da categoria Educação e Ensino do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, reconhecimento que evidencia sua relevância científica e editorial no cenário nacional.

Sobre a indicação da obra ao Prêmio Jabuti Acadêmico, Julio destacou:

“A inscrição da obra foi realizada pela Editora Autores Associados, que, ao longo de seus 45 anos de trajetória, consolidou-se como uma referência na publicação de trabalhos que contribuem significativamente para o pensamento educacional brasileiro. Considero que esse reconhecimento valoriza não apenas o livro, mas também o trabalho desenvolvido pela editora, pela universidade pública, pelas agências de fomento à pesquisa (CNPq, CAPES e FAPESP) e por todos os profissionais e jovens que participaram da investigação e tornaram esta obra possível”.

O pesquisador também destacou o percurso acadêmico que deu origem à obra:

“Durante o pós-doutorado na Unicamp, sob a supervisão do professor Dermeval Saviani, busquei aprofundar a reflexão sobre os processos educativos dirigidos aos adolescentes em conflito com a lei. Diante da persistência de práticas marcadas pela punição, pela repressão e pelo predomínio de concepções pedagógicas espontaneístas, procurei demonstrar as contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica e das experiências socialistas para a construção de uma orientação pedagógica efetivamente emancipatória”.

Ao comentar as motivações que o conduziram a essa linha de investigação, Julio relembrou sua própria trajetória escolar e a importância da educação não escolar em articulação com a escolarização:

“Também vivenciei, como jovem oriundo das classes populares, inúmeras dificuldades de permanência na escola e de apropriação dos conteúdos escolares. Nesse percurso, a valorização da instrução recebida na Obra Social Salesiana de São Carlos, por meio da relação de compromisso educacional estabelecida entre o então diretor, padre Agnaldo Soares Lima, e a professora Maria Cristina Terrile, professora titular aposentada do Departamento de Física da Universidade de São Paulo (USP), criou condições decisivas para fortalecer meu vínculo com a escola e ampliar minhas possibilidades de aprendizagem.

A professora Maria Cristina desenvolvia estudos dirigidos de Matemática e Física, articulando essas disciplinas às grandes questões da Filosofia e estimulando um estudo sistemático baseado na leitura, na escrita, na realização de exercícios e na resolução de problemas, o que contribuiu decisivamente para minha apropriação efetiva dos conhecimentos escolares.

As experiências de ensino desenvolvidas na obra social e os momentos de estudo realizados no Departamento de Física da USP, sob a orientação da professora Maria Cristina Terrile, despertaram em mim o gosto pelos estudos, permitiram aprofundar os conhecimentos das disciplinas escolares e estimularam meu interesse pela Literatura, pela Filosofia e pela produção científica.

Foi esse percurso que consolidou, desde muito cedo, a convicção de que a educação não escolar pode desempenhar um papel estratégico na reconstrução do vínculo de crianças, adolescentes e jovens com a escola e com o conhecimento sistematizado. Quando articuladas à escolarização, iniciativas educativas dessa natureza podem contribuir significativamente para enfrentar as desigualdades sociais e educacionais, ampliando as possibilidades de acesso, permanência e sucesso escolar das classes populares.”

Com a divulgação dos semifinalistas, a obra segue agora para a próxima etapa da premiação. Os cinco finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico serão anunciados pela Câmara Brasileira do Livro no próximo dia 27 de julho. Os vencedores de cada categoria serão conhecidos durante a cerimônia oficial da premiação, prevista para 11 de agosto de 2026, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, tradicional palco de importantes premiações nacionais.

 

Por: com informações de autores associados
Inspetoria Salesiana de São Paulo

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Última modificação em Sexta, 24 Julho 2026 11:29

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Ex-educando salesiano é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 Destaque

Sexta, 24 Julho 2026 11:19 Escrito por  Com informações de autores associados
Ex-educando salesiano é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 Acervo pessoal
Pesquisador de pós-doutorado da FAPESP na Unicamp, Julio Cesar Francisco atribui parte de sua trajetória acadêmica à formação recebida na Obra Social Salesiana de São Carlos, SP, destacando o papel da educação na construção de oportunidades e na promoção da dignidade humana.


A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou os semifinalistas da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, uma das mais importantes distinções da produção científica e editorial brasileira. Criada em 2024, a premiação reconhece obras de excelência nas áreas científicas, técnicas e profissionais.

Entre os dez semifinalistas da categoria Educação e Ensino está o ex-educando da Obra Social Salesiana de São Carlos, Julio Cesar Francisco, pedagogo e doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – Processo nº 2022/00610-2), e coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Democratização Escolar (GRDS – Brasil).


Origem do livro

 

A pesquisa que deu origem ao livro foi desenvolvida durante o pós-doutorado, sob a supervisão do professor Dermeval Saviani, e contou com financiamento da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Publicada pela Editora Autores Associados, a obra Pedagogia Socialista: contribuições para a formação de jovens infratores resulta de uma ampla investigação sobre os processos educativos dirigidos a adolescentes em conflito com a lei.

Fundamentado na Filosofia, na História e na Sociologia da Educação, o estudo analisa experiências brasileiras e internacionais e defende uma política educacional orientada pela Pedagogia Histórico-Crítica, reafirmando a necessidade de assegurar uma instrução de elevada ambição intelectual para todos os estudantes, inclusive aqueles oriundos das classes populares e em situação de conflito com a lei, frequentemente privados de oportunidades educacionais de qualidade.

A indicação coloca a obra entre as dez semifinalistas da categoria Educação e Ensino do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, reconhecimento que evidencia sua relevância científica e editorial no cenário nacional.

Sobre a indicação da obra ao Prêmio Jabuti Acadêmico, Julio destacou:

“A inscrição da obra foi realizada pela Editora Autores Associados, que, ao longo de seus 45 anos de trajetória, consolidou-se como uma referência na publicação de trabalhos que contribuem significativamente para o pensamento educacional brasileiro. Considero que esse reconhecimento valoriza não apenas o livro, mas também o trabalho desenvolvido pela editora, pela universidade pública, pelas agências de fomento à pesquisa (CNPq, CAPES e FAPESP) e por todos os profissionais e jovens que participaram da investigação e tornaram esta obra possível”.

O pesquisador também destacou o percurso acadêmico que deu origem à obra:

“Durante o pós-doutorado na Unicamp, sob a supervisão do professor Dermeval Saviani, busquei aprofundar a reflexão sobre os processos educativos dirigidos aos adolescentes em conflito com a lei. Diante da persistência de práticas marcadas pela punição, pela repressão e pelo predomínio de concepções pedagógicas espontaneístas, procurei demonstrar as contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica e das experiências socialistas para a construção de uma orientação pedagógica efetivamente emancipatória”.

Ao comentar as motivações que o conduziram a essa linha de investigação, Julio relembrou sua própria trajetória escolar e a importância da educação não escolar em articulação com a escolarização:

“Também vivenciei, como jovem oriundo das classes populares, inúmeras dificuldades de permanência na escola e de apropriação dos conteúdos escolares. Nesse percurso, a valorização da instrução recebida na Obra Social Salesiana de São Carlos, por meio da relação de compromisso educacional estabelecida entre o então diretor, padre Agnaldo Soares Lima, e a professora Maria Cristina Terrile, professora titular aposentada do Departamento de Física da Universidade de São Paulo (USP), criou condições decisivas para fortalecer meu vínculo com a escola e ampliar minhas possibilidades de aprendizagem.

A professora Maria Cristina desenvolvia estudos dirigidos de Matemática e Física, articulando essas disciplinas às grandes questões da Filosofia e estimulando um estudo sistemático baseado na leitura, na escrita, na realização de exercícios e na resolução de problemas, o que contribuiu decisivamente para minha apropriação efetiva dos conhecimentos escolares.

As experiências de ensino desenvolvidas na obra social e os momentos de estudo realizados no Departamento de Física da USP, sob a orientação da professora Maria Cristina Terrile, despertaram em mim o gosto pelos estudos, permitiram aprofundar os conhecimentos das disciplinas escolares e estimularam meu interesse pela Literatura, pela Filosofia e pela produção científica.

Foi esse percurso que consolidou, desde muito cedo, a convicção de que a educação não escolar pode desempenhar um papel estratégico na reconstrução do vínculo de crianças, adolescentes e jovens com a escola e com o conhecimento sistematizado. Quando articuladas à escolarização, iniciativas educativas dessa natureza podem contribuir significativamente para enfrentar as desigualdades sociais e educacionais, ampliando as possibilidades de acesso, permanência e sucesso escolar das classes populares.”

Com a divulgação dos semifinalistas, a obra segue agora para a próxima etapa da premiação. Os cinco finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico serão anunciados pela Câmara Brasileira do Livro no próximo dia 27 de julho. Os vencedores de cada categoria serão conhecidos durante a cerimônia oficial da premiação, prevista para 11 de agosto de 2026, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, tradicional palco de importantes premiações nacionais.

 

Por: com informações de autores associados
Inspetoria Salesiana de São Paulo

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