Em Tel Aviv, a situação permanece extremamente delicada, e a comunidade — composta em sua maioria por migrantes — encontrou nos abrigos subterrâneos o refúgio necessário para professar sua crença.
A celebração da vida em solo subterrâneo
A jornada espiritual da Semana Santa começou com o Domingo de Ramos, celebrado através de uma liturgia da palavra, mas o momento culminante ocorreu no Sábado Santo. Henrique relata que a celebração da ressurreição de Cristo foi realizada dentro de um bunker público, local onde a comunidade conseguiu liberação para se reunir.
Para o salesiano, celebrar o Senhor Ressuscitado em um ambiente de total escuridão física foi uma experiência de realidade ímpar, simbolizando Cristo como a luz que se faz presente em meio às trevas. Apesar das circunstâncias, o ambiente foi de imensa alegria, marcado por muita música e a partilha de alimentos, com destaque para a vibrante presença da cultura filipina.
Crianças: artistas da sobrevivência
Os relatos colhidos pelo portal Vatican News trazem detalhes comoventes sobre o impacto do conflito nas famílias atendidas pelo vicariato. Segundo a agente pastoral, Monika Faes, muitas crianças e jovens têm passado semanas consecutivas em bunkers para garantir o mínimo de segurança e sono. Elas são descritas como “artistas da sobrevivência”, capazes de brincar e manter a calma externa enquanto identificam rapidamente os sinais de perigo ao seu redor.
Em alguns momentos, essas mesmas crianças chegaram a mostrar aos agentes pastorais os estilhaços de foguetes que atingiram centros comunitários, evidenciando uma maturidade forçada pela realidade da guerra.
O amor permanece como a arma mais forte
Mesmo com as dificuldades financeiras e a falta de status legal de muitas famílias de migrantes, o esforço pastoral tem sido fundamental para manter vivos os rituais religiosos. O vigário patriarcal, padre Piotr Zelazko, tem reforçado a mensagem de que o amor é a arma mais poderosa em qualquer conflito, algo que se reflete no cuidado mútuo entre as crianças de diversas nacionalidades — ucranianas, russas, alemãs e francesas — que convivem no vicariato. Para Henrique Escudeiro, enviar notícias de que está bem e seguro é também uma forma de testemunhar que, apesar das sombras que as notícias frequentemente projetam sobre Jerusalém e Tel Aviv, a vida e a fraternidade continuam a pulsar com força na Terra Santa.
Por: Euclides Fernandes
Missão Salesiana de Mato Grosso