Santa Teresa de Calcutá e os Salesianos Destaque

Quinta, 10 Setembro 2026 15:59 Escrito por  Agência Info Salesiana
A Igreja celebra, no dia 5 de setembro, a memória litúrgica de Santa Teresa de Calcutá, a religiosa albanesa naturalizada indiana que faleceu justamente nesse dia de 1997 e foi canonizada pelo Papa Francisco em 4 de setembro de 2016.


Por trás da imagem mais conhecida de Madre Teresa – debruçada sobre os doentes e moribundos nas ruas de Calcutá – esconde-se uma história muito significativa: a sua longa e frutuosa relação com a Congregação Salesiana, vínculo que atravessou quase cinco décadas de história e continua, até hoje, a inspirar o trabalho comum a serviço dos mais pobres entre os pobres.

 

Um encontro que surgiu do serviço aos pobres

O primeiro contato documentado entre Madre Teresa e um salesiano remonta a 7 de outubro de 1950, logo no início da sua missão. Foi o padre Attilio Colussi, pároco da Catedral do Santíssimo Rosário de Calcutá, quem proferiu a homilia durante a missa de profissão religiosa das primeiras doze Irmãs Missionárias da Caridade.

Padre Colussi continuaria a oferecer assistência espiritual às irmãs da madre até sua morte, em 1988, aos 81 anos, lembrando frequentemente, em retiros e conferências para religiosos, as origens da vocação de Madre Teresa de servir aos abandonados.

A partir desse primeiro encontro, surgiu uma rede de colaborações que se estendeu por toda a Índia e além. Padre Rosario Stroscio, que foi inspetor salesiano em Calcutá entre 1967 e 1972, tornou-se uma figura central para as Missionárias da Caridade: quando as autoridades governamentais emitiram contra ele uma infundada ordem de expulsão por supostas “conversões”, foi a própria Madre Teresa quem interveio, solicitando que ele fosse nomeado capelão de suas irmãs em Prem Dan Tengra, um grande centro de convalescença para doentes de tuberculose. O governo não só revogou a expulsão, como também sugeriu que se solicitasse para ele a cidadania indiana.

 

"O ponto de união entre vós e nós é justamente este: os pobres"

O momento mais alto dessa relação ocorreu em meados da década de 1980, quando Madre Teresa se dirigiu diretamente à Congregação Salesiana em Roma, em 17 de maio de 1984 — no âmbito do encontro com os capitulares do CG22, liderados pelo padre Viganò —, que permanece como o texto mais significativo e citado dessa relação.

Madre Teresa falou com gratidão do apoio que os Salesianos ofereciam às suas irmãs, sobretudo em Calcutá, e definiu a vocação salesiana como “esse belo dom de Deus... de ser portadores do amor de Deus”.

Ao relembrar Dom Bosco, ela disse que o fundador dos Salesianos “tinha um grande amor pelos pobres, sempre via Jesus neles” e não “por um ato de fé”, mas por “uma convicção profunda”. Dessa partilha de carisma nasceu a frase que sintetiza a relação entre as duas famílias religiosas: “O ponto de união entre vós e nós é justamente este: os pobres!”.

Nesse mesmo discurso, Madre Teresa contou episódios que viriam a fazer parte do seu testemunho mais difuso: os milhares de pessoas recolhidas das ruas de Calcutá e acompanhadas até a morte em paz, a introdução da hora diária de adoração eucarística em 1973 – decisão tomada após um pedido unânime de suas irmãs durante um Capítulo Geral das Missionárias da Caridade – e o encontro com dois jovens recém-casados hindus que lhe doaram as economias destinadas ao banquete de casamento, destinando-as aos famintos de Calcutá.


Foi nessa ocasião que ela proferiu a exortação que os Salesianos ainda hoje recordam como um verdadeiro testamento espiritual: “não deixeis que ninguém nem nada separe o vosso amor por Cristo do amor pelos pobres! É tão fácil permitir que alguém ou algo tire a alegria de amar e servir os pobres. Eles são o maior dom de Deus para nós!”.

 

Obras compartilhadas, de Bengala ao Iêmen

A colaboração entre Madre Teresa e os filhos de Dom Bosco não se limitou às palavras, mas traduziu-se em ações concretas espalhadas por diversas regiões da Índia.

Em Calcutá, quando o padre Anthony Thaiparambil deu início, em 1985, ao projeto Ashalayam para crianças de rua em um cômodo alugado na favela de Howrah Pilkhana, o mesmo ambiente descrito por Dominique Lapierre em “A Cidade da Alegria”, foi Madre Teresa quem propôs a divisão de tarefas que estruturaria a colaboração: “nós cuidaremos das meninas. Vós vos dedicareis ao atendimento dos meninos”.

A madre participou pessoalmente da bênção das casas do centro, em 1991 e em 1995, e até o Natal de 1995 as crianças de Ashalayam iam cantar na Casa-Mãe das Missionárias da Caridade, onde ela mesma lhes distribuía os doces.

Em Guwahati, nordeste do Assam, a colaboração teve início em 1977, quando o padre Joseph Thelekkatt, diretor da local Escola Dom Bosco, levou um grupo de alunos para encontrar-se com Madre Teresa em Calcutá.

A partir do desejo que a madre expressou naquela ocasião – abrir uma casa em Guwahati, mesmo que fosse num imóvel alugado –, surgiu um projeto que contou com a participação do primeiro-ministro do Assam, Golap Borbora, e que hoje conta com três casas das Missionárias da Caridade na cidade. As irmãs continuam a chamar o padre Thelekkatt, que mais tarde foi inspetor, de “o filho da Madre”.

Ainda no nordeste da Índia, no estado de Arunachal Pradesh, onde as instituições cristãs estavam proibidas desde 1977, um encontro casual em Calcutá, em 1986, entre Madre Teresa e o jovem salesiano padre José Chemparathy levou à inauguração, em 1992, da primeira casa das Missionárias da Caridade em Pappunalla, perto de Itanagar, seguida por uma segunda casa em Borduria, que a Madre visitou pessoalmente em 1993.


Foi justamente para abençoar a primeira igreja de Arunachal, em Borduria, que Madre Teresa recusou, naquele ano, o convite do Papa João Paulo II para acompanhá-lo à Jornada Mundial da Juventude em Denver, preferindo ir até aquela remota missão acompanhada pelo então arcebispo de Guwahati, Thomas Menamparampil – que a conhecia desde 1958, quando ainda era um noviço salesiano em Bandel.

 

Um legado que continua

Quase 50 anos de encontros, obras compartilhadas e palavras que ultrapassaram as fronteiras das respectivas congregações permanecem hoje como legado vivo para a Família Salesiana.

Como disse Madre Teresa aos capitulares salesianos em 1984, invocando a intercessão do fundador do Oratório: “São João Bosco deve estar muito contente ao ver que a sua Congregação mantém essa honra para com os mais pobres entre os pobres”.



Por: Agência Info Salesiana

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Última modificação em Sexta, 11 Setembro 2026 13:33
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Quinta, 10 Setembro 2026 15:59 Escrito por  Agência Info Salesiana
A Igreja celebra, no dia 5 de setembro, a memória litúrgica de Santa Teresa de Calcutá, a religiosa albanesa naturalizada indiana que faleceu justamente nesse dia de 1997 e foi canonizada pelo Papa Francisco em 4 de setembro de 2016.


Por trás da imagem mais conhecida de Madre Teresa – debruçada sobre os doentes e moribundos nas ruas de Calcutá – esconde-se uma história muito significativa: a sua longa e frutuosa relação com a Congregação Salesiana, vínculo que atravessou quase cinco décadas de história e continua, até hoje, a inspirar o trabalho comum a serviço dos mais pobres entre os pobres.

 

Um encontro que surgiu do serviço aos pobres

O primeiro contato documentado entre Madre Teresa e um salesiano remonta a 7 de outubro de 1950, logo no início da sua missão. Foi o padre Attilio Colussi, pároco da Catedral do Santíssimo Rosário de Calcutá, quem proferiu a homilia durante a missa de profissão religiosa das primeiras doze Irmãs Missionárias da Caridade.

Padre Colussi continuaria a oferecer assistência espiritual às irmãs da madre até sua morte, em 1988, aos 81 anos, lembrando frequentemente, em retiros e conferências para religiosos, as origens da vocação de Madre Teresa de servir aos abandonados.

A partir desse primeiro encontro, surgiu uma rede de colaborações que se estendeu por toda a Índia e além. Padre Rosario Stroscio, que foi inspetor salesiano em Calcutá entre 1967 e 1972, tornou-se uma figura central para as Missionárias da Caridade: quando as autoridades governamentais emitiram contra ele uma infundada ordem de expulsão por supostas “conversões”, foi a própria Madre Teresa quem interveio, solicitando que ele fosse nomeado capelão de suas irmãs em Prem Dan Tengra, um grande centro de convalescença para doentes de tuberculose. O governo não só revogou a expulsão, como também sugeriu que se solicitasse para ele a cidadania indiana.

 

"O ponto de união entre vós e nós é justamente este: os pobres"

O momento mais alto dessa relação ocorreu em meados da década de 1980, quando Madre Teresa se dirigiu diretamente à Congregação Salesiana em Roma, em 17 de maio de 1984 — no âmbito do encontro com os capitulares do CG22, liderados pelo padre Viganò —, que permanece como o texto mais significativo e citado dessa relação.

Madre Teresa falou com gratidão do apoio que os Salesianos ofereciam às suas irmãs, sobretudo em Calcutá, e definiu a vocação salesiana como “esse belo dom de Deus... de ser portadores do amor de Deus”.

Ao relembrar Dom Bosco, ela disse que o fundador dos Salesianos “tinha um grande amor pelos pobres, sempre via Jesus neles” e não “por um ato de fé”, mas por “uma convicção profunda”. Dessa partilha de carisma nasceu a frase que sintetiza a relação entre as duas famílias religiosas: “O ponto de união entre vós e nós é justamente este: os pobres!”.

Nesse mesmo discurso, Madre Teresa contou episódios que viriam a fazer parte do seu testemunho mais difuso: os milhares de pessoas recolhidas das ruas de Calcutá e acompanhadas até a morte em paz, a introdução da hora diária de adoração eucarística em 1973 – decisão tomada após um pedido unânime de suas irmãs durante um Capítulo Geral das Missionárias da Caridade – e o encontro com dois jovens recém-casados hindus que lhe doaram as economias destinadas ao banquete de casamento, destinando-as aos famintos de Calcutá.


Foi nessa ocasião que ela proferiu a exortação que os Salesianos ainda hoje recordam como um verdadeiro testamento espiritual: “não deixeis que ninguém nem nada separe o vosso amor por Cristo do amor pelos pobres! É tão fácil permitir que alguém ou algo tire a alegria de amar e servir os pobres. Eles são o maior dom de Deus para nós!”.

 

Obras compartilhadas, de Bengala ao Iêmen

A colaboração entre Madre Teresa e os filhos de Dom Bosco não se limitou às palavras, mas traduziu-se em ações concretas espalhadas por diversas regiões da Índia.

Em Calcutá, quando o padre Anthony Thaiparambil deu início, em 1985, ao projeto Ashalayam para crianças de rua em um cômodo alugado na favela de Howrah Pilkhana, o mesmo ambiente descrito por Dominique Lapierre em “A Cidade da Alegria”, foi Madre Teresa quem propôs a divisão de tarefas que estruturaria a colaboração: “nós cuidaremos das meninas. Vós vos dedicareis ao atendimento dos meninos”.

A madre participou pessoalmente da bênção das casas do centro, em 1991 e em 1995, e até o Natal de 1995 as crianças de Ashalayam iam cantar na Casa-Mãe das Missionárias da Caridade, onde ela mesma lhes distribuía os doces.

Em Guwahati, nordeste do Assam, a colaboração teve início em 1977, quando o padre Joseph Thelekkatt, diretor da local Escola Dom Bosco, levou um grupo de alunos para encontrar-se com Madre Teresa em Calcutá.

A partir do desejo que a madre expressou naquela ocasião – abrir uma casa em Guwahati, mesmo que fosse num imóvel alugado –, surgiu um projeto que contou com a participação do primeiro-ministro do Assam, Golap Borbora, e que hoje conta com três casas das Missionárias da Caridade na cidade. As irmãs continuam a chamar o padre Thelekkatt, que mais tarde foi inspetor, de “o filho da Madre”.

Ainda no nordeste da Índia, no estado de Arunachal Pradesh, onde as instituições cristãs estavam proibidas desde 1977, um encontro casual em Calcutá, em 1986, entre Madre Teresa e o jovem salesiano padre José Chemparathy levou à inauguração, em 1992, da primeira casa das Missionárias da Caridade em Pappunalla, perto de Itanagar, seguida por uma segunda casa em Borduria, que a Madre visitou pessoalmente em 1993.


Foi justamente para abençoar a primeira igreja de Arunachal, em Borduria, que Madre Teresa recusou, naquele ano, o convite do Papa João Paulo II para acompanhá-lo à Jornada Mundial da Juventude em Denver, preferindo ir até aquela remota missão acompanhada pelo então arcebispo de Guwahati, Thomas Menamparampil – que a conhecia desde 1958, quando ainda era um noviço salesiano em Bandel.

 

Um legado que continua

Quase 50 anos de encontros, obras compartilhadas e palavras que ultrapassaram as fronteiras das respectivas congregações permanecem hoje como legado vivo para a Família Salesiana.

Como disse Madre Teresa aos capitulares salesianos em 1984, invocando a intercessão do fundador do Oratório: “São João Bosco deve estar muito contente ao ver que a sua Congregação mantém essa honra para com os mais pobres entre os pobres”.



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