O encanto do Natal para Madre Mazzarello

Monday, 16 December 2019 11:28 Written by  Ir. Márcia Koffermann, FMA
A cena de Maria, tendo aos braços o menino Jesus, transborda de encantamento e magia. Madre Mazzarello, desde cedo, deixou-se encantar pelo milagre da Encarnação do Filho de Deus.  

O Natal é uma das principais e mais belas festas cristãs, é o momento em que Cristo, Filho de Deus Pai, assume a nossa humanidade, fazendo-se um de nós. Jesus, completamente Deus e completamente homem, nasce em meio à pobreza e à simplicidade de Belém. Mais ainda, nasce dentro de um estábulo e é colocado numa manjedoura.

 

A cena de Maria, tendo aos braços o menino Jesus, transborda de encantamento e magia e desde o início do Cristianismo tem chamado a atenção de artistas, teólogos, pregadores e místicos. Com Madre Mazzarello não foi diferente. Desde cedo, deixou-se encantar pelo milagre da Encarnação do Filho de Deus.

 

Em Mornese, os campos cobertos de neve e o frio das noites de sua infância e juventude faziam com que Madre Mazzarello sentisse mais fortemente a pobreza e a fragilidade de Jesus tão pequeno, envolto em faixas. Era o mesmo sentimento materno e cheio de ternura com que acolhia as meninas pobres.

 

Cartas da Madre

Em suas cartas, escritas por ocasião do Natal do Senhor, começa geralmente dizendo “Viva Jesus Menino” e recorda a seus interlocutores a beleza de tão importante data. Numa de suas cartas escritas a Dom João Cagliero, relata: “Os dias se passaram em santa alegria, na companhia do menininho Jesus. Agora que me recordo, o menino está na América? Se não, nós o levaremos”.

 

Às Irmãs da Patagônia, na Argentina, escreve: “Agradeço-lhes, de todo coração, os lindos augúrios que me enviaram para as festas de Natal; pedirei ao Menino Jesus que as recompense com suas graças e com as mais escolhidas bênçãos; conceda-lhes a verdadeira humildade, a caridade, a obediência e o verdadeiro amor a Ele! Peço e pedirei sempre que Ele lhes dê o espírito de mortificação e de sacrifício da própria vontade, que lhes conserve o fervor e o zelo e, também, que conceda a todas, robusta saúde. Vocês se sentem contentes por Jesus lhes conceder todas estas coisas?”.

 

Bons propósitos

O Natal era ocasião especial para refazer os bons propósitos. Era comum para a primeira comunidade realizar a novena do Natal, durante a qual eram ofertadas as florezinhas ao menino Jesus. Cada florzinha era uma resolução tomada para amar mais a Jesus e aos irmãos. Dom Bosco mesmo elaborava os propósitos da novena e os enviava para as casas salesianas, entre elas, as das Filhas de Maria Auxiliadora - FMA. Mazzarello e as primeiras Irmãs realizavam essa boa prática cheias de empenho e ardor apostólico.

 

A preparação do presépio, as orações e missas aqueciam o coração naqueles dias e noites gelados; era como que um tempo de graça e de paz, em que se uniam a pobreza em que viviam com a pobreza de Jesus menino. Eram tempos difíceis e no inverno a escassez era ainda maior, mas Madre Mazzarello não se deixava abater e levava adiante sua missão com alegria e entusiasmo.

 

União com Deus

Conforme nos relata a Cronistória, este era o sentimento que prevalecia: “Colhamos, pois, a bela ocasião para mostrar quão ardente seja o nosso afeto para o Filho e para a Mãe! (...) E quando tivermos Jesus em nosso coração, recebido pelas mãos de Maria, juremos-lhe fidelidade com as palavras de um grande santo: ‘Nem a fome, nem a sede, nem a pobreza, nem a riqueza, nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a espada, nem a altura, nem o abismo, nem a vida, nem a morte, nem coisa alguma criada conseguirá separar-me do teu amor, ó meu amabilíssimo Jesus!”

 

Em carta para as Irmãs de Bordighera, escreve a Madre: “Ó minhas queridas Irmãs, quantos exemplos podemos colher olhando Jesus no presépio! Meditem sobre isto e verão o fruto que tirarão daí; será grande se o fizerem com humildade”.

 

O Natal era, portanto, ocasião de meditação, de contemplação, de união com Deus pleno de humanidade e daí Madre Mazzarello cultivava a sua espiritualidade, uma espiritualidade simples e forte, centrada em Jesus Cristo, divino e humano, pobre e humilde.

 

Irmã Márcia Koffermann, FMA, é diretora-executiva da Rede Salesiana Brasil de Comunicação (RSB-Comunicação).

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O encanto do Natal para Madre Mazzarello

Monday, 16 December 2019 11:28 Written by  Ir. Márcia Koffermann, FMA
A cena de Maria, tendo aos braços o menino Jesus, transborda de encantamento e magia. Madre Mazzarello, desde cedo, deixou-se encantar pelo milagre da Encarnação do Filho de Deus.  

O Natal é uma das principais e mais belas festas cristãs, é o momento em que Cristo, Filho de Deus Pai, assume a nossa humanidade, fazendo-se um de nós. Jesus, completamente Deus e completamente homem, nasce em meio à pobreza e à simplicidade de Belém. Mais ainda, nasce dentro de um estábulo e é colocado numa manjedoura.

 

A cena de Maria, tendo aos braços o menino Jesus, transborda de encantamento e magia e desde o início do Cristianismo tem chamado a atenção de artistas, teólogos, pregadores e místicos. Com Madre Mazzarello não foi diferente. Desde cedo, deixou-se encantar pelo milagre da Encarnação do Filho de Deus.

 

Em Mornese, os campos cobertos de neve e o frio das noites de sua infância e juventude faziam com que Madre Mazzarello sentisse mais fortemente a pobreza e a fragilidade de Jesus tão pequeno, envolto em faixas. Era o mesmo sentimento materno e cheio de ternura com que acolhia as meninas pobres.

 

Cartas da Madre

Em suas cartas, escritas por ocasião do Natal do Senhor, começa geralmente dizendo “Viva Jesus Menino” e recorda a seus interlocutores a beleza de tão importante data. Numa de suas cartas escritas a Dom João Cagliero, relata: “Os dias se passaram em santa alegria, na companhia do menininho Jesus. Agora que me recordo, o menino está na América? Se não, nós o levaremos”.

 

Às Irmãs da Patagônia, na Argentina, escreve: “Agradeço-lhes, de todo coração, os lindos augúrios que me enviaram para as festas de Natal; pedirei ao Menino Jesus que as recompense com suas graças e com as mais escolhidas bênçãos; conceda-lhes a verdadeira humildade, a caridade, a obediência e o verdadeiro amor a Ele! Peço e pedirei sempre que Ele lhes dê o espírito de mortificação e de sacrifício da própria vontade, que lhes conserve o fervor e o zelo e, também, que conceda a todas, robusta saúde. Vocês se sentem contentes por Jesus lhes conceder todas estas coisas?”.

 

Bons propósitos

O Natal era ocasião especial para refazer os bons propósitos. Era comum para a primeira comunidade realizar a novena do Natal, durante a qual eram ofertadas as florezinhas ao menino Jesus. Cada florzinha era uma resolução tomada para amar mais a Jesus e aos irmãos. Dom Bosco mesmo elaborava os propósitos da novena e os enviava para as casas salesianas, entre elas, as das Filhas de Maria Auxiliadora - FMA. Mazzarello e as primeiras Irmãs realizavam essa boa prática cheias de empenho e ardor apostólico.

 

A preparação do presépio, as orações e missas aqueciam o coração naqueles dias e noites gelados; era como que um tempo de graça e de paz, em que se uniam a pobreza em que viviam com a pobreza de Jesus menino. Eram tempos difíceis e no inverno a escassez era ainda maior, mas Madre Mazzarello não se deixava abater e levava adiante sua missão com alegria e entusiasmo.

 

União com Deus

Conforme nos relata a Cronistória, este era o sentimento que prevalecia: “Colhamos, pois, a bela ocasião para mostrar quão ardente seja o nosso afeto para o Filho e para a Mãe! (...) E quando tivermos Jesus em nosso coração, recebido pelas mãos de Maria, juremos-lhe fidelidade com as palavras de um grande santo: ‘Nem a fome, nem a sede, nem a pobreza, nem a riqueza, nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a espada, nem a altura, nem o abismo, nem a vida, nem a morte, nem coisa alguma criada conseguirá separar-me do teu amor, ó meu amabilíssimo Jesus!”

 

Em carta para as Irmãs de Bordighera, escreve a Madre: “Ó minhas queridas Irmãs, quantos exemplos podemos colher olhando Jesus no presépio! Meditem sobre isto e verão o fruto que tirarão daí; será grande se o fizerem com humildade”.

 

O Natal era, portanto, ocasião de meditação, de contemplação, de união com Deus pleno de humanidade e daí Madre Mazzarello cultivava a sua espiritualidade, uma espiritualidade simples e forte, centrada em Jesus Cristo, divino e humano, pobre e humilde.

 

Irmã Márcia Koffermann, FMA, é diretora-executiva da Rede Salesiana Brasil de Comunicação (RSB-Comunicação).

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