Por conta e risco de uma Copa!

Tuesday, 08 July 2014 10:52 Written by 
Uma importante contribuição que o torneio mundial de futebol, promovido pela Fifa, trouxe para a sociedade brasileira foi a desmistificação do clima de euforia e ilusão, ou de fetiche, a que durante décadas a nação esteve submetida. A beleza e a importância dos eventos esportivos são inquestionáveis. O papa Francisco não perdeu a ocasião de lembrar que este evento poderia potencializar uma “cultura do encontro” e favorecer o sentido de solidariedade, no qual os “fominhas individualistas” não deveriam ser prestigiados.

Nos primórdios do torneios futebolísticos, provavelmente os aspectos mercadológicos não estavam tão fortemente determinantes, como atualmente.

Por conta da qualidade e dos resultados financeiros altamente rentáveis, os meios acabam justificando ou sacrificando os fins.

Em nosso país, esta edição do futebol mundial está oportunizando condições de avaliar os exagerados investimentos em comparação com países anfitriões das últimas edições.

Todos sabemos que o aproveitamento “político” deste evento está na agenda de todos os partidos.

Os sentimentos de nação estão presentes nos estádios durante os jogos: basta conferir a forma com que se canta, nestas ocasiões, o hino nacional.

Felizmente, não faltam brasileiros com o mesmo sentimento pátrio, que desejam expressar publicamente (mesmo que numa minoria) sua indignação diante da desproporção – financeira e de agilidade burocrática – com que as exigências do “padrão Fifa” foram atendidas. A renúncia aos impostos devidos, por exemplo, deveria ser avaliada e fortemente investigada.

Em nosso país, discute-se também regulamentações em níveis quase ridículos, para evitar que iniciativas da sociedade civil possam prestar à educação e à saúde serviços de qualidade, com menor preço. A identificação do público com o estatal (partidário) está na raiz de muito autoritarismo de gestores públicos.

Feliz está sendo esta Copa que pode oferecer ao mundo e aos brasileiros uma reflexão política para além dos altos custos dos estádios e da manipulação de uma nação definida como “um país com a bola no pé”.

Torcemos para que esta nação marcada, desde seus inícios, pelo sinal da Cruz, sinta-se libertada e embalada pelos sonhos do Crucificado e pelas luzes do Ressuscitado.

Como nunca, hoje, o carisma (o espírito salesiano) se faz mais do que necessário. Basta lembrar a importância estratégica que Dom Bosco dava ao pátio: lugar das relações autênticas e significativas entre educandos e educadores. 

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Por conta e risco de uma Copa!

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Uma importante contribuição que o torneio mundial de futebol, promovido pela Fifa, trouxe para a sociedade brasileira foi a desmistificação do clima de euforia e ilusão, ou de fetiche, a que durante décadas a nação esteve submetida. A beleza e a importância dos eventos esportivos são inquestionáveis. O papa Francisco não perdeu a ocasião de lembrar que este evento poderia potencializar uma “cultura do encontro” e favorecer o sentido de solidariedade, no qual os “fominhas individualistas” não deveriam ser prestigiados.

Nos primórdios do torneios futebolísticos, provavelmente os aspectos mercadológicos não estavam tão fortemente determinantes, como atualmente.

Por conta da qualidade e dos resultados financeiros altamente rentáveis, os meios acabam justificando ou sacrificando os fins.

Em nosso país, esta edição do futebol mundial está oportunizando condições de avaliar os exagerados investimentos em comparação com países anfitriões das últimas edições.

Todos sabemos que o aproveitamento “político” deste evento está na agenda de todos os partidos.

Os sentimentos de nação estão presentes nos estádios durante os jogos: basta conferir a forma com que se canta, nestas ocasiões, o hino nacional.

Felizmente, não faltam brasileiros com o mesmo sentimento pátrio, que desejam expressar publicamente (mesmo que numa minoria) sua indignação diante da desproporção – financeira e de agilidade burocrática – com que as exigências do “padrão Fifa” foram atendidas. A renúncia aos impostos devidos, por exemplo, deveria ser avaliada e fortemente investigada.

Em nosso país, discute-se também regulamentações em níveis quase ridículos, para evitar que iniciativas da sociedade civil possam prestar à educação e à saúde serviços de qualidade, com menor preço. A identificação do público com o estatal (partidário) está na raiz de muito autoritarismo de gestores públicos.

Feliz está sendo esta Copa que pode oferecer ao mundo e aos brasileiros uma reflexão política para além dos altos custos dos estádios e da manipulação de uma nação definida como “um país com a bola no pé”.

Torcemos para que esta nação marcada, desde seus inícios, pelo sinal da Cruz, sinta-se libertada e embalada pelos sonhos do Crucificado e pelas luzes do Ressuscitado.

Como nunca, hoje, o carisma (o espírito salesiano) se faz mais do que necessário. Basta lembrar a importância estratégica que Dom Bosco dava ao pátio: lugar das relações autênticas e significativas entre educandos e educadores. 

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