Por ocasião da beatificação do padre Elia Comini, foi publicado o texto “Querido caderninho”, um diário do padre Elia Comini, salesiano, mártir do Monte Sole.
Sob a coordenação do padre Pierluigi Cameroni, postulador-geral para as Causas dos Santos da Família Salesiana, a obra é, na medida do possível, fiel ao manuscrito original do padre Elia, por ele carinhosamente chamado de “querido caderninho”.
No “querido caderninho” – pequeno também em tamanho (13,5 x 5,5 cm) –, padre Elia registra os acontecimentos cotidianos, num rigoroso exame de consciência que o ajuda a investigar intenções e objetivos; a corrigi-los em constante conformidade com o primado do Evangelho; e, sobretudo, a agradecer, orar e formular propósitos firmes, aos quais soube permanecer fiel.
“Este diário contribuirá para um conhecimento mais completo do padre Elia Comini através da sua vontade cotidiana de buscar a perfeição da vida religiosa, de acordo com as exigências da sua consagração a Deus, segundo o espírito da espiritualidade alegre, mas exigente, de São João Bosco”, escreveu o padre Pasquale Liberatore, SDB, então postulador-geral da Congregação Salesiana, no prefácio da edição do diário editada pelo padre Rino Germani em 1994.
O diário revela seu “amor heroico pelas almas” e a entrega total de si a Deus, expressa desde a juventude: “Cupio dissolvi et esse cum Christo”, como ele mesmo anota aos 18 anos. É assim que se compreende a sua “caridade pastoral” no espírito de São João Bosco, que o levará a permanecer com a sua gente “até o fim” e que ilumina, além de toda incerteza, “o tríduo da paixão” (29 de setembro – 1º de outubro de 1944), que culminou em segurar “firmemente o breviário nas mãos” e na proclamação em voz alta das Ladainhas lauretanas nos momentos supremos.
O “Massacre de Marzabotto
O massacre mais hediondo e de maior magnitude perpetrado pela SS nazista na Europa, durante a guerra de 1939-45, foi o ocorrido na região de Monte Sole, nos territórios de Marzabotto, Grizzana Morandi e Monzuno, embora seja comumente conhecido como o “Massacre de Marzabotto”.
Entre 29 de setembro e 5 de outubro de 1944, o número de mortos foi de 770, mas, no total, as vítimas dos alemães e dos fascistas, desde a primavera de 1944 até a liberação, chegaram a 955, distribuídas por 115 localidades dentro de um vasto território que abrange os municípios de Marzabotto, Grizzana e Monzuno e algumas partes dos territórios vizinhos. Dentre elas, 216 eram crianças, 316 mulheres, 142 idosos, 138 vítimas reconhecidas como partigiani e cinco sacerdotes, cuja culpa, aos olhos dos alemães, consistia em terem estado ao lado da população de Monte Sole, com orações e ajuda material, durante os trágicos meses de guerra e ocupação militar.
Junto com o padre Elia Comini, salesiano, e o padre Martino Capelli, dehoniano, também foram mortos três sacerdotes da Arquidiocese de Bolonha: o padre Ubaldo Marchioni, o padre Ferdinando Casagrande e o padre Giovanni Fornasini, assassinado em 13 de outubro de 1944 e beatificado em 26 de setembro de 2021.
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Por: Agência Info Salesiana