“Somos todos educadores, não importa a missão”

Tuesday, 17 November 2015 17:27 Written by 
O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas, MS, é dirigido pelas Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) e é referência em saúde na região.

Todo mundo sabe que o carisma salesiano tem foco na educação, no desenvolvimento da criança e do jovem, para a formação de pessoas de valor para a sociedade, certo? Mas ao explorar o universo salesiano, em meio a escolas, projetos de inclusão social e missões, o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, de Três Lagoas, MS, surge como um ‘ponto fora da curva’. A instituição de saúde é dirigida pelas Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) há quase 100 anos e, em sua história, mostra que a educação é sempre um elemento transformador.

Construído em 1919 pelo esforço e pela união de um grupo de pessoas da própria comunidade, o Hospital Auxiliadora foi inaugurado por dom Francisco de Aquino Corrêa, bispo da diocese e governador do estado do Mato Grosso. Em 1927, fora criada a Fundação da Associação Beneficente do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, mas no ano seguinte, a instituição foi fechada por falta de recursos. Por pressões da sociedade, a Câmara Municipal da cidade doou o hospital à diocese, por entender que a Igreja teria como manter o hospital. A presença salesiana veio para a cidade por solicitação do bispo diocesano, dom Antônio de Almeida Lustrosa, com a missão de assumir a gestão do hospital.

 

Diferenciais

Irmã Aurélia Brioschi é diretora do hospital há apenas três anos, mas já consegue elencar uma série de exemplos vivenciados no período, de que a educação também promove mudanças, mesmo em um ambiente hospitalar. “Durante anos, este foi o único local para as pessoas virem cuidar da saúde na cidade. E mesmo que os tempos tenham mudado, há uma luta diária que enfrentamos em relação à falta de recursos”, ressalta a diretora. Nos últimos anos a cidade e as necessidades de atendimento médico cresceram bastante e isso refletiu nas demandas do hospital. “Trabalhamos em parceria com o poder público. Os recursos repassados pelo Ministério da Saúde vêm por meio da prefeitura e a maioria dos pacientes é atendida pelo SUS. Também atendemos alguns convênios, porque a verba do SUS é sempre menor do que a gente gasta”.

 

Educação o tempo todo

Atender aos pacientes com uma visão cristã faz muita diferença, não só para quem é atendido, mas para quem cuida desses pacientes. “Incluímos essa premissa no nosso trabalho. As irmãs colocam à frente sua visão cristã, de valores éticos e de respeito, cuidado e de valorização, seja das pessoas que são responsáveis pelo atendimento, seja daquelas que vêm buscar atendimento”.

O ambiente do hospital é cuidador e também educador. Os cartazes, a comunicação interna, locais cuidadosamente preparados nos vários eventos, transmitem a alegria e o bem-estar. São promovidas ações de qualificação dos profissionais leigos que atuam na instituição, com palestras e atividades que ajudam a rever não só a formação da atividade profissional, mas também as questões pessoais, como seres humanos em seus anseios e dificuldades. “Os pacientes percebem que o ambiente é diferenciado. Ainda temos muito a conquistar, mas nossa intenção é tornar o hospital um ambiente familiar e educador”, relata.

 

O amor que transforma

Um dos inúmeros exemplos de ‘educação’ no hospital é de um paciente oncológico, um jovem de 32 anos que foi acometido de um tipo de tumor muito raro. “Tivemos um trabalho grande dos médicos, da equipe. Acompanhamos cada fase do tratamento, inicialmente a confiança de que a doença poderia ser vencida. Fizemos um trabalho com a família, pessoas da Pastoral da Saúde estiveram presentes, especialmente ao lado da mãe dele, que no começo sofreu muito com a gravidade da doença”, relata. “O jovem se sentiu acolhido, muito querido, não tinha ninguém que não conhecesse o caso dele. A caminhada pedagógica que se fez com o jovem e com sua família, o levou a aceitar aquela situação e sua morte foi amparada de todo amor. A vida desse jovem estava 'salva', no sentido de sua passagem, já que materialmente não havia o que fazer. O fim dele foi tranquilo, que é o que se espera quando a morte é inexorável”.

 

Efemérides locais

Um calendário de atividades elaborado para manter temáticas de discussão em saúde e, principalmente, prevenção, é desenhado pela direção do hospital, onde a comunidade local é mobilizada. “Semana da enfermeira, saúde do homem, saúde da mulher, dia do coração, dos rins etc”. São organizadas palestras com especialistas, levando em conta as dificuldades dos profissionais, mas para que o aprendizado seja também compartilhado com a população local.

 

Estagiários

Para as escolas de Enfermagem, fica óbvio exigir que seus alunos realizem seus estágios em um ambiente hospitalar, mas uma das inovações para praticar a vocação educadora foi propor estágios a outros âmbitos de formação. “Estendemos os estágios para outros cursos, que não são só de enfermagem - alunos do Senai e Senac, por exemplo. Nós nos empenhamos para que o estagiário não cumpra um protocolo, mas realmente, esses jovens possam aprender a se comprometer com as escolhas de carreira que cada um fez. Se o jovem sai daqui com o entendimento de que o que se faz deve ser bem feito, nós cumprimos o nosso objetivo, e cá estamos nós em meio ao carisma educador e com foco no público jovem”, reflete irmã Aurélia.

Um dos exemplos elencados pela diretora diz respeito a alunos de Pedagogia. O estagiário é encaminhado à Pediatria, a fim de aplicar seus conhecimentos no acompanhamento de crianças que têm de ficar internadas por mais tempo. “Promovemos atividades lúdicas, que estimulem a alegria pregada por Dom Bosco. Temos o grupo dos “Doutores Atrapalhadores”, que anima pacientes com tratamentos mais difíceis, como a hemodiálise, por exemplo. Isso alivia as dificuldades intrínsecas do tratamento médico e mais, percebemos que o grupo cresceu e o envolvimento da alegria exerceu seus benefícios principalmente junto aos atores”, encerra. 

Rate this item
(0 votes)

Leave a comment

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.


“Somos todos educadores, não importa a missão”

Tuesday, 17 November 2015 17:27 Written by 
O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas, MS, é dirigido pelas Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) e é referência em saúde na região.

Todo mundo sabe que o carisma salesiano tem foco na educação, no desenvolvimento da criança e do jovem, para a formação de pessoas de valor para a sociedade, certo? Mas ao explorar o universo salesiano, em meio a escolas, projetos de inclusão social e missões, o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, de Três Lagoas, MS, surge como um ‘ponto fora da curva’. A instituição de saúde é dirigida pelas Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) há quase 100 anos e, em sua história, mostra que a educação é sempre um elemento transformador.

Construído em 1919 pelo esforço e pela união de um grupo de pessoas da própria comunidade, o Hospital Auxiliadora foi inaugurado por dom Francisco de Aquino Corrêa, bispo da diocese e governador do estado do Mato Grosso. Em 1927, fora criada a Fundação da Associação Beneficente do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, mas no ano seguinte, a instituição foi fechada por falta de recursos. Por pressões da sociedade, a Câmara Municipal da cidade doou o hospital à diocese, por entender que a Igreja teria como manter o hospital. A presença salesiana veio para a cidade por solicitação do bispo diocesano, dom Antônio de Almeida Lustrosa, com a missão de assumir a gestão do hospital.

 

Diferenciais

Irmã Aurélia Brioschi é diretora do hospital há apenas três anos, mas já consegue elencar uma série de exemplos vivenciados no período, de que a educação também promove mudanças, mesmo em um ambiente hospitalar. “Durante anos, este foi o único local para as pessoas virem cuidar da saúde na cidade. E mesmo que os tempos tenham mudado, há uma luta diária que enfrentamos em relação à falta de recursos”, ressalta a diretora. Nos últimos anos a cidade e as necessidades de atendimento médico cresceram bastante e isso refletiu nas demandas do hospital. “Trabalhamos em parceria com o poder público. Os recursos repassados pelo Ministério da Saúde vêm por meio da prefeitura e a maioria dos pacientes é atendida pelo SUS. Também atendemos alguns convênios, porque a verba do SUS é sempre menor do que a gente gasta”.

 

Educação o tempo todo

Atender aos pacientes com uma visão cristã faz muita diferença, não só para quem é atendido, mas para quem cuida desses pacientes. “Incluímos essa premissa no nosso trabalho. As irmãs colocam à frente sua visão cristã, de valores éticos e de respeito, cuidado e de valorização, seja das pessoas que são responsáveis pelo atendimento, seja daquelas que vêm buscar atendimento”.

O ambiente do hospital é cuidador e também educador. Os cartazes, a comunicação interna, locais cuidadosamente preparados nos vários eventos, transmitem a alegria e o bem-estar. São promovidas ações de qualificação dos profissionais leigos que atuam na instituição, com palestras e atividades que ajudam a rever não só a formação da atividade profissional, mas também as questões pessoais, como seres humanos em seus anseios e dificuldades. “Os pacientes percebem que o ambiente é diferenciado. Ainda temos muito a conquistar, mas nossa intenção é tornar o hospital um ambiente familiar e educador”, relata.

 

O amor que transforma

Um dos inúmeros exemplos de ‘educação’ no hospital é de um paciente oncológico, um jovem de 32 anos que foi acometido de um tipo de tumor muito raro. “Tivemos um trabalho grande dos médicos, da equipe. Acompanhamos cada fase do tratamento, inicialmente a confiança de que a doença poderia ser vencida. Fizemos um trabalho com a família, pessoas da Pastoral da Saúde estiveram presentes, especialmente ao lado da mãe dele, que no começo sofreu muito com a gravidade da doença”, relata. “O jovem se sentiu acolhido, muito querido, não tinha ninguém que não conhecesse o caso dele. A caminhada pedagógica que se fez com o jovem e com sua família, o levou a aceitar aquela situação e sua morte foi amparada de todo amor. A vida desse jovem estava 'salva', no sentido de sua passagem, já que materialmente não havia o que fazer. O fim dele foi tranquilo, que é o que se espera quando a morte é inexorável”.

 

Efemérides locais

Um calendário de atividades elaborado para manter temáticas de discussão em saúde e, principalmente, prevenção, é desenhado pela direção do hospital, onde a comunidade local é mobilizada. “Semana da enfermeira, saúde do homem, saúde da mulher, dia do coração, dos rins etc”. São organizadas palestras com especialistas, levando em conta as dificuldades dos profissionais, mas para que o aprendizado seja também compartilhado com a população local.

 

Estagiários

Para as escolas de Enfermagem, fica óbvio exigir que seus alunos realizem seus estágios em um ambiente hospitalar, mas uma das inovações para praticar a vocação educadora foi propor estágios a outros âmbitos de formação. “Estendemos os estágios para outros cursos, que não são só de enfermagem - alunos do Senai e Senac, por exemplo. Nós nos empenhamos para que o estagiário não cumpra um protocolo, mas realmente, esses jovens possam aprender a se comprometer com as escolhas de carreira que cada um fez. Se o jovem sai daqui com o entendimento de que o que se faz deve ser bem feito, nós cumprimos o nosso objetivo, e cá estamos nós em meio ao carisma educador e com foco no público jovem”, reflete irmã Aurélia.

Um dos exemplos elencados pela diretora diz respeito a alunos de Pedagogia. O estagiário é encaminhado à Pediatria, a fim de aplicar seus conhecimentos no acompanhamento de crianças que têm de ficar internadas por mais tempo. “Promovemos atividades lúdicas, que estimulem a alegria pregada por Dom Bosco. Temos o grupo dos “Doutores Atrapalhadores”, que anima pacientes com tratamentos mais difíceis, como a hemodiálise, por exemplo. Isso alivia as dificuldades intrínsecas do tratamento médico e mais, percebemos que o grupo cresceu e o envolvimento da alegria exerceu seus benefícios principalmente junto aos atores”, encerra. 

Rate this item
(0 votes)

Leave a comment

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.